sábado, 19 de fevereiro de 2011

Abelha Nativa Social Com Ferrão


Quando estou pelo mato nunca deixo de ficar de olho para tentar encontrar ninhos de abelhas. Numa caminhada, ao ouvir um típico zumbido acabei por ver muitas abelhas entrando em um oco. Belas abelhas com uma cor escura, pequenas do tamanho aproximado de um iraí e com a forma típica das meliponas.

Fiquei fascinado com  a imensa movimentação e a grande entrada de alimentos. Enquanto imaginava qual espécie poderia ser,  peguei  um exemplar para olhar de mais perto e melhor observar.

Logo que segurei a danada da abelha senti a ferroada. Foi muito forte e dolorosa. A dor só não foi maior do que a minha surpresa. Caraca,  o que aprendi a respeito das abelhas sociais nativas está errado: A facilidade do manejo, a ausência ou atrofiamento do ferrão que torna a meliponicultura uma atividade segura e agradável... Então a coisa não é bem assim... Afinal, que abelha seria esta? Com certeza uma espécie totalmente desconhecida pela ciência e pelos meliponicultores.

A surpresa e o susto inicial foram logo se transformando em desespero e medo. Eu ali, literalmente num mato sem cachorro com aquela dor latejante, e pior: Uma sensação de dormência que da mão foi subindo pelo braço, que parecia estar ficando anestesiado. O meu consolo, se é que se pode chamar isso de consolo, é que depois de um certo tempo eu já não sentia mais a dor, apenas aquele terrivel formigamento.

Encontrar algum tipo de ajuda naquele lugar seria difícil. O que seria de mim? Me tornei vítima de minha própria paixão. Só restava torcer para sobreviver a isto.

Até que finalmente me pareceu que a  angústia  teria um fim. Despertei daquele inconveniente pesadelo. Tinha que ter dormido em cima do braço? A medida que recuperava o movimento e tentava voltava dormir, fiquei pensando como é bom criar abelhas nativas. Apenas abelhas nativas. Voltei a dormir sossegado.






sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Aventura com Umas Moças Brancas: Uma transferência que se transformou numa divisão

Não faz muito tempo fui procurado por um camarada daqui de Vitória, o Judismar mais conhecido por Júlio, que desejava começar na meliponicultura.
Ele demonstrou muito interesse e percebe-se que logo será um grande meliponicultor, o que para mim é muito bom, pois sinto falta de ter por perto alguém para trocar figurinhas. 
O fato é que logo após o contato inicial ele me procurou de novo, desta vez para dizer que encontrou um tipo de jataí grande em um tronco velho e já caído. chamou-me para ir com ele buscá-lo na paradisíaca Santa Cruz e trazer para Vitória. Claro que aceitei na hora.
Chegando ao local logo deu para perceber que não eram jataís pois a abelha apesar ser um pouco parecida na forma, era bem maior e a entrada diferente. Depois de uma pesquisa na net e a confirmação no grupo abena - br.groups.yahoo.com/group/abena/ - concluímos então que deve ser  a Moça Branca Friseomelitta varia. Trata-se de uma abelhinha especial: belas e mansa (não mordem nem agarram nos cabelos), e o mel é muito bom.  
Trouxemos o ninho para Vitória e esperamos um mês para as moças irem conhecendo os caminhos das pedras, quer dizer, das flores, para depois tentar a transferência para um caixa racional.
 Júlio e as suas moças
Marcada a data, percebi que a caixa providenciada por ele era pequena, assim optei por utilizar uma caixa RLT que a princípio parecia ser grande, composta de duas alças de 20 x 20 x 10, cada, com porão e labirinto. Em fim,  preferi esta à pequena caixa do Júlio.   
Como eu mal havia sido apresentado às charmosas moças, fiquei tímido e também bastante apreensivo, pois até então não havia feito nenhuma transferência de colônia alojada em tronco, muito menos manejado abelhas que possuem favos em cacho. Isto sem contar com o fato de que como as abelhas não me pertencem, a responsabilidade era ainda maior. Vai que o manejo fosse um fracasso! O Júlio poderia ficar frustrado e até desistir da meliponicultura.


Mas como eu estava com o meu amuleto da sorte - o  boné da Abena - relaxei, pois desde que ele chegou foi utilizado em todos os manejos com 100% de sucesso. Assim, fomos à luta com os apetrechos por perto:  fita para vedar as juntas da caixa, sugador de abelhas, local para guardar a rainha, xarope, ferramentas... e o principal: equipe à postos. Aliás, uma equipe e tanto, composta por Júlio, a sua filhinha Karol que com apenas sete anos não amarelou diante da responsabilidade de ser fotógrafa, cinegrafista e ajudante geral e completando o time, este que vos escreve. 
Vejam o meu ar preocupado. No começo eu estava temendo a possiblidade de tudo sair errado. Depois pensei: Porque me preocupar, se estou com meu boné da sorte? Afinal, um abenalta, nunca treme.

Ainda com cortiço em seu lugar original, o Júlio foi logo retirando o pito de entrada e o transplantou para a caixa já vedada por mim com o meu "espetacular" senso estético, que me caracteriza. Como podem ver na foto baixo, uma "verdadeira obra de arte":

Daí, retiramos o velho tronco do local, deixamos bem perto,  e colocamos a caixa para receber as campeiras. Ao dar umas pancadas no tronco para que as abelhas saírem, o meu sentimento com relação às belas loiras começou a mudar, pois até então era de simpatia e quando começaram a sair aos montes, e se  dirigirem para o antigo local do ninho, sem se agarrar nos nossos cabelos, e não  nos atacar como fazem, por exemplo, as valentes jataís, a simpatia começou a virar paixão; afinal das contas elas não são apenas belas, mas, também fazem um alimento delicioso e ainda por cima, são calminhas, calminhas.
Chegou então, o momento de abrir o tronco (ou galho). Como já havíamos imaginado, foi como mamão com mel, pois como ele já estava bem rachado e não ofereceu qualquer tipo de resistência à  força do Júlio. 

O tronco foi posto próximo ao local original, onde já estava a caixa que receberia a colônia. Tivemos o cuidado de manter na mesma posição desde a coleta no mato.


  Conseguimos abrir o tronco ao meio, sem estragar os favos de cria ou derramar mel. O oco relativamente estreito ocupava no comprimento mais de um metro de favos e de mel 


Parte dos muitos favos de cria que estavam espalhados por grande extensão do oco


Daí, eu me encarreguei de cuidadosamente ir retirando os favos de crias, que não eram poucos, e ia transferindo e colando nas paredes e  também dispondo no fundo da caixa, que a esta altura eu não mais considerava  grande, dada a quantidade de favos. Enquanto isto, Júlio utilizando o seu hiper-sugador feito com um copinho da Karol, sugava as abelhas que não voaram e procurava pela rainha. A promissora Karol ia se diplomando na arte de fotografar, filmar e de quebra nos ajudava em tudo mais.
Com muita calma, descolando os favos de cria 

Depois de retirados os favos foram pacientemente distribuídos pela caixa composta de ninho e sobre ninho com espaço disponível de 20 x 20 x 16 cm. Abaixo do ninho um labirinto e porão (projeto do Rilen - RJ)

A transferência  transcorria relativa bem. Por que relativamente?... Favos retirados íntegros e transferidos sem transtorno, potes de mel intactos, sucesso na coleta das abelhas que não voavam... Mas, cadê a rainha? nada da mãezona. Já haviámos transferido quase todos os favos e nada da chefona. O problema é que  o pau-de-ninho estava bem acabadinho e contava com muitos buracos, valas, entranhas e que mais o querido leitor imaginar como sendo locais para um pequeno inseto se esconder. Além do fato de que  não estávamos encontrando a poderosa, havia ainda a questão das abelhinhas que se aninhavam em locais  que nem o Júlio com o seu pulmão turbinado conseguia aspirar.    
Só nos restava então, sair detonando o tronco atrás de qualquer espaço onde a rainha poderia estar. Isto com certeza poderia resultar na morte da madame.
Foi então que me veio uma idéia que de imediato apresentei para o meu novo amigo e tratamos de pôr em prática: Remontar o tronco. Já que não era totalmente garantido que a rainha realmente estivesse lá, viva e forte, aliás, não dava nem para garantir que havia uma rainha... Vai que se tratava de uma família  recém orfanada, não é verdade? Tudo é possível. Inclusive o improvável. Diante disto, mantivemos no tronco alguns favos nascentes e também favos novos, pois nesta espécie não há realeira, e as princesas não saem de células comuns como nas meliponas. No caso das friseomelittas, a rainha origina-se de uma invasão: a larva de  uma célula invade uma célula vizinha e come todo o alimento e provavelmente, a outra larva também. Desta invasão, surge a futura rainha. Ficou no tronco, também parte do mel, e aquelas abelhas que Júlio não estava conseguindo sugar e as campeira que não saiam de perto. 
Como ele estava aberto em duas partes mais algumas lascas avulsas fomos como num quebra - cabeças, recolocando as partes no lugar. É isto mesmo: remontamos o cortiço. Com arame e alicate, juntamos firmente as partes e serramos a parte de baixo e adaptamos um suporte com um pedaço de tábua. Em seguida, com muita argila, fechamos todas as frestas, buracos e afins. Vejam o resultado:

  
Seis dias após o manejo, retornei ao local e fiquei muito feliz ao ver o intenso movimento de abelhas, não só na caixa, mas também no tronco.
Espero que em breve estajamos fazendo uma divisão utilizando favos da caixa e campeiras do tonco.

 Assim, fica aqui narrada a história de uma transferencia que se transformou numa divisão, e também, fica contado como surgiu a minha paixão por estas moças que agora quero também possuir (no bom sentido), e com elas conviver até que a morte nos separe. 

Complementando:
Vídeos da transferencia:

http://www.youtube.com/watch?v=fgX-oUP8QZk



http://www.youtube.com/watch?v=75cfYqA2UdM


http://www.youtube.com/watch?v=-YJ37D6m93g

Vídeo do tronco depois da divisão.

Conhecendo mais um pouco: 


       




quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Carta dos criadores de asf ao IBAMA


O meliponicultor Jean Locatelli, do Grupo Abena que possui mais de mil associados, enviou uma carta ao IBAMA, onde de forma clara, conseguiu relatar os dificuldades que impedem que a meliponicultura se consolide como uma atividade de vital importância para a ecologia brasileira. 

É um absurdo que o criador de abelhas nativas, ao realizar uma grande ação voluntária em favor da natureza ao conseguir com muito trabalho, amor e investimento próprio, chegar a mais de 50 colônias de abelhas nativas, que irão polinizar a flora nativa e assim garantir a preservação das nossas matas, sofrer as mesmas exigencias que são impostas a um jardim zoológico, por exemplo. Lembramos que diversas árvores brasileiras, algumas ameaçadíssimas de extinção, são polinizadas exclusivamente pelas abelhas nativas brasileiras. Quanto maior o número de abelhas nativas, maiores as chances de salvação e ampliação da flora brasileira.
Assim, segue abaixo o texto do Jean, que na verdade não é apenas do Jean, mas sim a voz de praticamente a totalidade dos meliponicultures brasileiros.

Prezado Sr Nilo Sérgio de Melo Diniz
Diretor do Departamento de Apoio ao Conselho Nacional do Meio Ambiente - CONAMA. Secretaria Executiva - Ministério do Meio Ambiente. Brasília/DF
 

 
Primeiramente concordamos com o enunciado da Resolução 346, especialmente quando diz: “abelhas silvestres nativas, ..., e que vivem naturalmente fora do cativeiro,...”, ou seja, não podemos  enquadrar esses animais aos demais animais que quando criados racionalmente ficam presos, reclusos, e privados de sua liberdade de ir e vir, ou seja, em cativeiro, sob a tutela exclusiva do homem.
No entanto Senhores, as Abelhas Sem Ferrão – ASF são animais que para viverem precisam estar soltas. Sim – livres,  assim podem forragear na natureza, e em busca do néctar que é a sua fonte primária de energia; acabam realizando o fantástico serviço de fecundação cruzada, ao levarem o pólen que é o gameta masculino para as anteras que são os órgãos reprodutores femininos da outra planta da mesma espécie, contribuindo assim, para o milagre da reprodução e continuidade das espécies.
Executam também uma atividade desconhecida e pouco comentada até então, que é a dispersão de sementes, quando coletam prendem sementes em seus corpos e as perdem no cominho, com efeitos positivos e muito benéficos para a flora e fauna.
Então para executarem essas tarefas naturais, precisam estar SOLTAS e não em CATIVEIRO, como podem penar alguns defensores da fauna nativa, e claro na Resolução cit.
 
O ponto nevrálgico na Resolução 346, é referente a quantidade de colméias. Pois em seu parágrafo 2º do Art 5º, diz:
“ § 2o Ficam dispensados da obtenção de autorização de funcionamento citada no parágrafo anterior os meliponários com menos de cinqüenta colônias e que se destinem à produção artesanal de abelhas nativas em sua região geográfica de ocorrência natural.”
 
Então, essa limitação de 50 (cinqüenta colônias), não tem propósito ambiental. Enquanto os demais seres não possuem tal dispositivo limitador as ASF tem, e sem uma justificativa plausível. As próprias Apis melliferas (abelhas africanas) são criadas pelo continente inteiro sem restrições, ocorrem no campo e nas cidades, e estão sendo fomentadas no mundo inteiro devido às grandes baixas de suas populações por intoxicações por defensivos agrícolas e transgênicos.
Frangos, bovinos, caprinos, eqüinos, etc, mesmo sendo animais de fora do nosso território são criados sem qualquer restrição de quantidade, e sim estimulados para aquecer a economia, gerar empregos e alimentos, mas as ASF parecem que forma eleitas como bode espiatório...
 
Impor um limite ao criador é impedir o crescimento da atividade – meliponicultura. É tratar a atividade diferenciadamente pois é sabido que grande parte dos Meliponicultores, artesanais, hobistas, preservacionistas e que laboram em educação ambiental,  não possuem condições se enquadrarem na legislação que exige além de um profissional (biólogo), casa do mel e demais requisitos pertinentes a industria, o que não cabe a meliponicultura de fundo de quintal.
Essa condição de ilegalidade, expõe desnecessariamente pessoas que trabalham na preservação de um nicho em extinção, que investem recursos próprios em benefício da natureza.
 
A lei deveria diferenciar os níveis da meliponicultura por ATIVIDADE e não por quantidade.
- conservacionista/preservacionista, hobista, doméstica ou subsistência;
- comercial; e
- cientifica.
 
A meliponicultura além de ser natural do homem do campo, da zona rural hoje também é praticada por muitos criadores que moram em áreas urbanas, contribuindo assim para a preservação de plantas que mesmo sem fins comerciais, contribuem para com a vida nas cidades.
 
Não esqueçamos que onde há antropização, ou seja utilização dos espaços por humanos, a bem pouco tempo era tudo da natureza, logo, qualquer espaço que seja, é área de ocorrência natural dos seres endêmicos deste continente, e não há de se conjeturar, erradicar as ASF dessas ares, exceto algumas espécies extremamente defensivas, quando estiverem alojadas em local impróprio e estiverem inviabilizando as atividades urbanas.
 
Já para os criadores da zona rural, quando inseridos na meliponicultura, passam a ter mais zelo para com o uso dos recursos naturais (solo, ar e água), bem como ficam comedidos no emprego de venenos e substancias tóxicas, adequando as demais atividades da lavoura a meliponicultura, pois não se pode dispor de práticas nocivas ao meio ambiente, e ter conjuntamente ASF; passam assim s serem potenciais parceiros ajudando no processo de fiscalização contra práticas nocivas a natureza (caça, pesca, queimadas, derrubadas, uso inadequado ou proibido de substancias tóxicas, etc).
 
IN 169), mesmo que numa cidade de 1.000.000 de habitantes, tenha somente um criador, ele não poderá ter mais de 50 enxames, sob pena de ter de se cadastrar como criador profissional. E isso é inconcebível, pois a atividade não se sustenta com tão reduzido plantel, sendo que defendemos que não deve haver limitador, o qual para se considerar adequado, precisaria ser de pelo menos 20 vezes esse quantitativo.
 
No outro vértice, se houverem centenas de ASF num local, não há prejuízo a natureza, pois em primeira análise, não se vislumbra qualquer dano, pois mesmo em caso de superlotação, como elas não possuem ferrão, não podem causar mal a ninguém, e há de se considerar que em meliponários de maior envergadura, se requer manejo racional, com técnicas modernas de subsistência dos cortiços, compensando a eventual falta de recursos naturais do local, a exemplo de outras atividades (avicultura, suinocultura, etc.) que exigem a suplementação energética de forma artificial, o que é plenamente dominado pelos atuais criadores de ASF.
 
E, como a lei não proíbe divisões, como explícito no Art 4º, que diz:
 
“Art. 4o Será permitida a comercialização de colônias ou parte delas desde que sejam resultado de métodos de multiplicação artificial ou de captura por meio da utilização de ninhos-isca.”
 
Nem o aumento do plantel, como apregoa o Art 3º:
 
“Art. 3o É permitida a utilização e o comércio de abelhas e seus produtos, procedentes dos criadouros autorizados pelo órgão ambiental competente, na forma de meliponários, bem como a captura de colônias e espécimes a eles destinados por meio da utilização de ninhos-isca.”
 
Ratificados pelo Art. 5o que em seu parágrafo 3º cita:
“§ 3o A obtenção de colônias na natureza, para a formação ou ampliação de meliponários, será permitida por meio da utilização de ninhos-isca ou outros métodos não destrutivos mediante autorização do órgão ambiental competente.”
 
Logo, um criador de ASF amadorista que obtiver 50 enxames de forma legal (divisão racional ou captura natural via iscas), por essa norma fica impedido de progredir, sob pena de ter de se enquadrar em outra categoria, a comercial, com normas rigorosas e com encargos incompatíveis para com a atividade. Na categoria amadora, a atividade está crescendo lentamente, mas recuou com a edição da Resolução, que inviabiliza totalmente qualquer iniciativa não comercial, afastando potenciais preservadores das espécies.
 
Isso per si gerou desistências, pessoas que optaram por sair da atividade para não terem de se submeter a uma carga desproporcional de impostos e gastos, incompatíveis com a atividade de preservação.
 
Noutro vértice, os que permaneceram não conseguem se regularizar. Acabam ficando a própria sorte e ao arrepio da lei; essa situação transforma o criador parceiro do meio ambiente em um infrator, pois sim, quem não está a contento da lei está contra ela.
 
Perde dessa forma a natureza com a participação voluntária desse contingente, e perde o Estado, com a perspectiva de futura inclusão no mercado produtor e perdem as ASF por ficarem desprotegidas, pois o Estado na sua boa intenção, protege no papel, mas não protege na prática.
 
Então um Meliponicultor que tem 49 enxames, e os divide todos, passaria em uma temporada de multiplicação para 98 cortiços. Estaria assim de um dia para o outro na ilegalidade, caso não contratasse um biólogo, fizesse uma casa de mel, e pagasse todas as taxas como criador comercial profissional, ficando em condição desconfortável perante a legislação, justamente quem está agindo em benefício das espécies criadas e manejadas racionalmente, com todas as custas requeridas pelo segmento.
 
Ou seja, seria num espaço de tempo muito curto, catapultado de criador hobista ou preservacionista, para a qualificação de comercial, mesmo que não tenha tal intenção.
 
E, isso simplesmente por conta dessa COTA injustificável de 50 Enxames.
 
Tem muito TEÓRICO não possui ASF e nem tem noção de quão importantes são para a natureza, e as tratam a semelhança de outros animais em cativeiro, e isso tem prejudicado sobremaneira a expansão da atividade.
 
A meliponicultura necessita de políticas públicas pró-atividade, pois é uma atividade incluidora, sociambientalmente correta e necessária a natureza.
 
 
Com relação a Guia de Transito e Circulação dos enxames de ASF, diz o Art 6º:
 
Art. 6o O transporte de abelhas silvestres nativas entre os Estados será feito mediante autorização do IBAMA, sem prejuízo das exigências de outras instâncias públicas, sendo vedada a criação de abelhas nativas fora de sua região geográfica de ocorrência natural, exceto para fins científicos.
 
 
Com relação a esse assunto, temos a convicção de que a meliponicultura deve ser direcionada para CAPACITAÇÃO e não para a limitação, exclusão e punição.
 
Ao transformar os Meliponicultores que hoje não tem acesso a cursos pagos pelo sistema de proteção a fauna, e acabam sendo banidos da atividade por não conseguirem se adaptar as exigências absurdas da lei, que pode até servir para atividades extensivas, mas não para a preservação de fundo de quintal; onde se pretende oferecer alternativas laborais de apoio a renda familiar, e produção orgânica, sendo as ASF bioindicadores naturais, sendo que a atividade precisa reconhecer a importância dos trabalhadores da polinização, e da preservação do meio ambiente, pelo excepcional prestação do SERVIÇO AMBIENTAL.
 
Assim, os criadores devem ser estimulados fazer o curso básico de capacitação em meliponicultura, com no mínimo 20 horas aula, 20 de teoria e 4 de prática. Modulo 1, para ser preservacionista/hobista, turismo ecológico, amadorista, urbano e rural, que não tem fins comerciais, capacitando-o ao manejo profícuo e exitoso das ASF, que como polinizadores, estão protegidos pela lei e devem ser proliferadas, pois a cada criador, mais um aliado na atividade, sendo que o Meliponicultor precisa por força da atividade conservar a flora existente, e plantar mais, para subsistência de seu plantel.
 
Para o Meliponicultor Comercial, curso de 40 horas, sendo 32 de teoria e 8 horas de prática, Módulo 2. Idem para os criadores científicos.
 
Assim, o criador Meliponicultor ao se formar, é direcionado a se cadastrar no IBAMA, afim de obter o numero do seu REGISTRO e fazer o seu Cadastro no site.
 
Dessa forma o IBAMA tem como acompanhar a atividade e gerir o processo e as novas políticas para aproveitamento desse potencial latente que são os Meliponicultores, que capacitados com cursos serão pessoas úteis a natureza e essenciais / necessários à preservação das ASF;
 
Sugerimos também a criação de uma Carteirinha de Meliponicultor, que pode ser expedida automaticamente pelo próprio site do IBAMA, já com os dados do criador e o numero do cadastro impresso, a fim de diferenciar o criador homologado para a atividade do mateiro e do inabilitado.
 
Essa forma de controle, também pode ser gerenciada junto as Associações regionais ou estaduais de Meliponicultores ou apicultores onde não existir aquelas. Sempre precedidas do registro no site do IBAMA, e com a referente numeração para fins de fiscalização e controle.
Assim estaremos fomentando o ASSOCIATIVISMO e e a integração dos envolvidos, pois entendemos que o homem é ser gregário, precisa conviver com seus afins, solidificando a saúde mental e física, pois no mundo moderno que vivemos cada um está se voltando para o seu Eu, e a população está ficando doente, estressada e depressiva.
 
Esse comportamento individualista e pouco altruísta, redunda em doenças de toda ordem e numa violência crescente em todos os setores da nossa sociedade. Então podemos concluir que fomentando o associativismo e a integração a meliponicultura é incluidora e socialmente justa.
É um assunto polemico a criação das Abelhas de outras áreas de ocorrências, pois são tratados, geralmente, por pessoas desinformadas, desatualizadas e adstritas a doutrinas defasadas, e ao assessorarem o Legislativo, IBAMA e o Conama (MMA), concorrem para com o estigma de que essa prática seja inviável, o que não é verdade.
 
Temos muitos criadores, em diversas regiões do continente, que estão criando eficazmente ASF de regiões não endêmicas, um exemplo clássico é a Apis (africana) que está sendo criada praticamente no mundo inteiro, e sendo uma abelha pode ser usada como referencia de adaptação.
Mas, no que tange as nossas tupiniquins brasileiras, não é verdade de que Abelhas de outras áreas de ocorrências não podem ser criadas fora de suas regiões de endemia, pois PODEM e podemos provar devido a existência de um numero enorme de meliponários dessas espécies, que desde que criadas de forma técnica e racional, apresentam a mesma performance das locais.
 
E, quanto a questão fitossanitária não há nenhuma evidencia ou caso concreto de que as ASF tenham causado algum problemas a fauna, se bem que temos plantas e animais exóticos criados em todos os lugares (demais animais COMERCIAIS), e quanto ao manejo dos subprodutos das ASf já existe uma norma especifica de boas praticas, previstas pela Riispoa.
 
Quanto ao fator da aclimatação, um tabu a bem pouco tempo, já foi derrubado. E isso ocorreu pela força popular, os próprios criadores tiveram de arcar com experiências as suas próprias expensas, ate que desenvolveram as técnicas adequadas de aclimatação e hoje essas espécies já estão se adaptando a climas distintos aos originais, se tornando opção de produção orgânica frente a decadência das apis (africanas).
 
E essa capacidade de se adaptar em clima variado é adstrita a vida, pois se assim não o fosse teriam sido extintas pelas mudanças do clima a muito tempo, haja vista que existem a cerca de 200 milhões de anos. Só o que precisam para se adaptarem fora de seu nicho natural, é de manejo adequado e de tempo para reconhecerem as floradas e se adaptarem ao clima, quando diverso do seu.
 
Para os criadores que tem ASF de outras regiões, poderia ser criada uma classe especifica para fins de acompanhamento especial, de forma que os órgãos fiscalizadores ou reguladores da atividade possam ter relatório anual do desenvolvimento da atividade, de maneira a identificar os criadores que estão tendo problemas de manutenção dos estoques, e as causas, podendo serem adotadas medidas adequadas para a solução do problema.
 
Mas para isso a meliponicultura se tornar tão importante quanto é necessária, temos de quebrar os limites de criação, pois 50 não tem fundamento e nem há uma justificativa pra tal, e nem mesmo o criador de fundo de quintal, deve ser restrito a essa ínfima quantidade.
 
É o nosso pedido.
1209 Associados
50 mil ASF
 
RESOLUÇÃO CONAMA nº 346, de 16 de agosto de 2004
 
Publicada no DOU no 158, de 17 de agosto de 2004, Seção 1, página 70
Disciplina a utilização das abelhas silvestres nativas, bem como a implantação de meliponários.
 
O CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE-CONAMA, no uso das competências que lhe são conferidas pela Lei no 6.938, de 31 de agosto de 1981, regulamentada pelo Decreto no 99.274, de 6 de junho de 1990, e tendo em vista o disposto no seu Regimento Interno,
 
Considerando que as abelhas silvestres nativas, em qualquer fase do seu desenvolvimento, e que vivem naturalmente fora do cativeiro, constituem parte da fauna silvestre brasileira;
 
Considerando que essas abelhas, bem como seus ninhos, abrigos e criadouros naturais são bens de uso comum do povo nos termos do art. 225 da Constituição Federal;
 
Considerando o valor da meliponicultura para a economia local e regional e a importância da polinização efetuada pelas abelhas silvestres nativas na estabilidade dos ecossistemas e na sustentabilidade da agricultura; e
Considerando que o Brasil, signatário da Convenção sobre a Diversidade Biológica- CDB, propôs a “Iniciativa Internacional para a Conservação e Uso Sustentável de Polinizadores”, aprovada na Decisão V/5 da Conferência das Partes da CDB em 2000 e cujo Plano de Ação foi aprovado pela Decisão VI/5 da Conferência das Partes da CDB em 2002, resolve:
 
CAPÍTULO I
Disposições Gerais
 
Art. 1o Esta Resolução disciplina a proteção e a utilização das abelhas silvestres nativas, bem como a implantação de meliponários.
 
Art. 2o Para fins dessa Resolução entende-se por:
I - utilização: o exercício de atividades de criação de abelhas silvestres nativas para fins de comércio, pesquisa científica, atividades de lazer e ainda para consumo próprio ou familiar de mel e de outros produtos dessas abelhas, objetivando também a conservação das espécies e sua utilização na polinização das plantas;
II - meliponário: locais destinados à criação racional de abelhas silvestres nativas, composto de um conjunto de colônias alojadas em colméias especialmente preparadas para o manejo e manutenção dessas espécies.
 
Art. 3o É permitida a utilização e o comércio de abelhas e seus produtos, procedentes dos criadouros autorizados pelo órgão ambiental competente, na forma de meliponários, bem como a captura de colônias e espécimes a eles destinados por meio da utilização de ninhos-isca.
 
Art. 4o Será permitida a comercialização de colônias ou parte delas desde que sejam resultado de métodos de multiplicação artificial ou de captura por meio da utilização de ninhos-isca.
 
CAPÍTULO II
Das Autorizações
 
Art. 5o A venda, a exposição à venda, a aquisição, a guarda, a manutenção em cativeiro ou depósito, a exportação e a utilização de abelhas silvestres nativas e de seus produtos, assim como o uso e o comércio de favos de cria ou de espécimes adultos dessas abelhas serão permitidos quando provenientes de criadouros autorizados pelo órgão ambiental competente.
 
§ 1o A autorização citada no caput deste artigo será efetiva após a inclusão do criador no Cadastro Técnico Federal-CTF do IBAMA e após obtenção de autorização de funcionamento na atividade de criação de abelhas silvestres nativas.
§ 2o Ficam dispensados da obtenção de autorização de funcionamento citada no parágrafo anterior os meliponários com menos de cinqüenta colônias e que se destinem à produção artesanal de abelhas nativas em sua região geográfica de ocorrência natural.
§ 3o A obtenção de colônias na natureza, para a formação ou ampliação de meliponários, será permitida por meio da utilização de ninhos-isca ou outros métodos não destrutivos mediante autorização do órgão ambiental competente.
 
Art. 6o O transporte de abelhas silvestres nativas entre os Estados será feito mediante autorização do IBAMA, sem prejuízo das exigências de outras instâncias públicas, sendo vedada a criação de abelhas nativas fora de sua região geográfica de ocorrência natural, exceto para fins científicos.
 
Art. 7o Os desmatamentos e empreendimentos sujeitos ao licenciamento ambiental deverão facilitar a coleta de colônias em sua área de impacto ou enviá-las para os meliponários cadastrados mais próximos.
 
Art. 8o O IBAMA ou o órgão ambiental competente, mediante justificativa técnica, poderá autorizar que seja feito o controle da florada das espécies vegetais ou de animais que representam ameaça às colônias de abelhas nativas, nas propriedades que manejam os meliponários.
 
CAPÍTULO III
Disposições Finais
 
Art. 9o O IBAMA no prazo de seis meses, a partir da data de publicação desta resolução, deverá baixar as normas para a regulamentação da atividade de criação e comércio das abelhas silvestres nativas.
 
Art. 10. O não-cumprimento ao disposto nesta Resolução sujeitará aos infratores, entre outras, às penalidades e sanções previstas na Lei no 9.605, de 12 de fevereiro de 1998 e na sua regulamentação.
 
Art. 11. Esta Resolução não dispensa o cumprimento da legislação que dispõe sobre o acesso ao patrimônio genético, a proteção e o acesso ao conhecimento tradicional associado e a repartição de benefícios para fins de pesquisa científica desenvolvimento tecnológico ou bioprospecção.
 
Art. 12. Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação.
 
MARINA SILVA - Presidente do Conselho
Este texto não substitui o publicado no DOU, de 17 de agosto de 2004
 
56 Retificado no DOU nº 165, de 26 de agosto de 2004, pág. 90.
 

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Livro: A MANDAÇAIA


Saiu a terceira edição revisada e ampliada do livro A Mandaçaia, de Davi Said Aidar.
A obra trata da biologia, manejo de multiplicação das abelhas nativas em geral, dando destaque para a mandaçaia.
Quem desejar comprar a obra pela internet, deve acessar o link abaixo. Boa leitura.



http://www.funpecrp.com.br/loja_nova/inicio/flypagetpl/shopproduct_details/519

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

As abelhas e o clima

28/12/2010 - 05:39:00

Atualmente, o tema "mudanças climáticas" tem gerado calorosas discussões em todo o mundo. Os pesquisadores buscam compreender e encontrar soluções para mitigar o processo de aquecimento global que poderá, num futuro próximo, atingir diversos organismos presentes em ambientes naturais ou mantidos pelo homem. Em relação às abelhas, este interesse não é menor, já que esses insetos, por serem sensíveis às mudanças ambientais, podem ser bons indicadores para o processo de Aquecimento Global.

As abelhas, que já vem sofrendo forte pressão de diversos fatores como os desmatamentos, que destroem tanto as suas fontes de alimento como de abrigo, o uso indiscriminado de pesticidas nas lavouras e os surtos de pragas e doenças, encontram no processo de Aquecimento Global mais uma importante barreira para seu sucesso. E não é à toa que, nos últimos anos, tem sido grande a preocupação com os casos de desaparecimento de populações desses insetos em vários países, principalmente em virtude de seu importante papel como agente polinizador de culturas agrícolas e de ambientes naturais.

Apesar da capacidade de adaptação das abelhas a diferentes ambientes, as colônias desses insetos podem sofrer grandes prejuízos com as variações das condições climáticas. Embora as abelhas adultas sejam relativamente tolerantes às variações térmicas, suas crias são sensíveis a pequenas variações da temperatura do ninho. Para o bom desenvolvimento das formas jovens, a área de cria do ninho deve ser mantida a temperaturas entre 30 a 35°C, já que as temperaturas acima desta faixa podem prejudicar o desenvolvimento larval, principalmente a metamorfose. Além disso, em temperaturas acima de 40°C, os favos de cera cheios de mel podem amolecer e quebrar.

Uma temperatura elevada no interior da colônia pode por em risco tanto o desenvolvimento populacional como o armazenamento de alimento; com isso, as abelhas tomam uma série de medidas para evitar o superaquecimento. Inicialmente, as abelhas adultas se dispersam pelo ninho e começam a promover a ventilação, pelo batimento das asas, de forma a criar correntes de ar que favorecem a saída do ar quente e entrada de ar fresco. Adicionalmente, as operárias podem promover a evaporação de pequenas gotas de água, espalhadas nos favos ou expostas nas suas próprias línguas. Por isso, é grande a importância da manutenção de fontes de água nas proximidades da colônia. Também visando a diminuição da temperatura, parte das abelhas pode sair da colméia, formando aglomerados do lado de fora para reduzir a produção de calor e facilitar a ventilação. Entretanto, tudo isso gera um gasto energético extra para a colônia, que emprega tempo e recursos para o controle da temperatura, deixando de realizar outras atividades como coleta de néctar e pólen para o armazenamento de alimento.

Apesar destes mecanismos de termorregulação permitirem a sobrevivência das abelhas em situações de estresse térmico, existem determinadas condições que dificultam estas medidas; por exemplo, quando ocorre a escassez de água ou quando a colônia se encontra enfraquecida, com população pequena, o que dificulta o controle da temperatura. Nesses casos, pode ocorrer o que se chama "enxame abandono", quando toda a colônia deixa aquele local devido as condições desfavoráveis, e o enxame sai à procura de um outro lugar para o estabelecimento do ninho.

Esta situação é indesejável para os apicultores, que terão que recapturar ou comprar novos enxames para repor os que foram perdidos, o que pode comprometer a produtividade. Além disso, as colônias que enfrentam esta situação têm sua capacidade produtiva comprometida, visto que estão ocupadas na manutenção da temperatura e não na coleta de néctar e pólen.

Outros elementos climáticos como umidade relativa do ar, radiação solar, precipitação, velocidade do vento e pressão atmosférica têm um efeito determinante em relação ao estabelecimento e desenvolvimento de colônias de abelhas. Dessa forma, considera-se importante o monitoramento dessas variáveis e a avaliação de sua influência nas colônias de abelhas, visando o estudo dos impactos que as mudanças climáticas podem provocar sobre esses organismos e possíveis ações que possam minimizar esses efeitos.


Fonte: Embrapa Meio-Norte

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Mel de Abelha Nativa Cura Infecções dos olhos?

É bastante comum ouvirmos as pessoas falarem dos poderes terapêuticos dos méis das nossas abelhas nativas.

Um exemplo comum, é que o mel de  ASF é capaz de curar a catarata e outras infecções nos olhos.

Eu pessoalmente nunca ouvi um relato direto. Quero dizer, nunca alguém contou um caso concreto que tenha presenciado ou vivido.

Isto mudou neste último domingo, dia 12  de dezembro. O casal que cuida do nosso sítio relatou que um cão deles estava com um dos olhos quase que totalmente encoberto, segundo eles, com uma "carne". Eles já consideravam que o animal estava cego deste olho.

Como o filho deles havia a pouco tempo coletado uma pequena quantidade de mel de jataí da terra, resolveu então aplicar no olho deste cão. Segundo eles o resultado foi incrível,  se não tivessem presenciado o fato teriam dificuldade em acreditar, já que em pouquíssimo tempo o olho do animal já estava completamente normal. Isto sem a utilização de mais nada, além do mel.

Eu vi o animal (apenas depois de curado) e realmente o olho dele está com uma aparência normal, sem qualquer tipo de seqüela.

João Luiz.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Criação da Câmara Tecnica da Meliponicultura

        É Sempre muito bom acompanhar o  que os colegas estão fazendo pela meliponicultura e pela natureza como um todo.
         Abaixo um comunicado do amigo Aldivar de Curitiba - PR, enviado para o grupo Abena, dando conta dos resultados surgidos das resoluções do 4º Seminario Paranaense de Meliponicultura e os próximos passos.
          Desejamos aos companheiros de Curitiba e de todo o Brasil sucesso nos trabalhos. Juntos construiremos uma meliponicultora forte, de forma que,  juntos com os outros setores ligados à preservação, possamos ajudar a sociedade a reconstruir o Brasil de forma consciente, progressiva e sustentável. 



    Amigos da ABENA, tenho a grata satisfação de comunicar-lhes, que como foi encaminhado nas resoluções do 4 Seminário Paranaense de Meliponicultura, foi dado o ponta pé inicial para criação da Câmara Técnica da Meliponicultura, que em Fevereiro de 2011, na primeira Reunião do Grupo de Meliponicultura que acontecera na SEAB, dia 17 Fev 2011, já  estará atuando como Câmara Técnica.
                      Dia 08 Dez de 2010, tivemos a reunião de avaliação do 4 Seminário Paranaense de Meliponicultura, o qual foi julgado por todos os presentes como excelente, inclusive pelo modelo adotado pelos Organizadores, com oficinas e salas temáticas, e minha grata satisfação é constatar que tudo aquilo que gostaríamos de contar para o desenvolvimento dessa atividade, hoje podemos falar que já as temos. Na reunião do dia 08 Dez, tivemos a presença do Prof. Renato da UFPR, representando o grupo de pesquisa que junto com os colegas de Ribeirão Preto-SP, Crus das Almas-BA e outras Universidades e Faculdades, poderão acelerar ainda mais as pesquisas, também a presença do Sr Renato Técnico do TECPAR, Instuto de pesquisa e Certificação do Estado do Paraná, o qual poderá nos dar um grande auxilio nas pesquisa de produtos do Propolis, nas analises dos méis e polém, e nas certificações, contamos também com a presença do Sr Valcir Tecnico do CPRA, Centro Paranaense de Referencia em Agroecologia, o qual poderá desenvolver técnicas de manejo, criar cursos para o desenvolvimento da meliponicultura junto as comunidades de Assentados da Reforma Agrária, Agricultura Familiar, no desenvolvimento de uma produção mais limpa sem Agrotóxico, colocando a Meliponicultura como uma opção para a exploração sustentável da Reserva Legal, Mata Ciliar e no Sistema Agro florestal, e na difusão dos Polinizadores que entre eles estão as nossas queridas ASF, Entre eles Temos como sempre os Incansáveis Roberto Carlos de Andrade o grande Motivador da SEAB, Hermes Palumbo grande instrutor do SENAR, Marcos Antonio Dalla Costa, Secretario de Agricultura e Meio Ambiente de Mandirituba e o Idealizador e um dos fundadores da Associação dos Meliponicultores de Mandirituba, e os demais Sr Lucas Meliponicultor, Humberto Meliponicultor, Pacher Meliponicultor e eu Aldivar Meliponicultor.

                    Abraços Aldivar - Curitiba-PR

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

A partir de 2030, a mudança climática causará indiretamente cerca de um milhão de mortes por ano, trazendo, também, prejuízos anuais de 157 bilhões de dólares, segundo informe divulgado em Cancún, México.
A miséria se concentrará em mais de 50 dos países mais pobres do planeta, mas os Estados Unidos vão pagar o maior preço econômico, diz o estudo.
“Em menos de 20 anos, quase todos os países do mundo perceberão sua alta vulnerabilidade ante o impacto do clima, à medida que o planeta se aqueça”, advertiu o relatório apresentado na conferência da ONU sobre o clima celebrada em Cancún, leste do México.
O estudo, compilado por uma organização humanitária de países vulneráveis a mudanças climáticas, avaliou a forma como 184 nações serão afetadas em quatro áreas: saúde, desastres climáticos, perda do hábitat humano devido à desertificação e à elevação do nível do mar, além do estresse econômico.
Os que enfrentam “aguda” exposição são 54 países pobres ou muito pobres, incluindo a Índia. São os que sofrerão desproporcionadamente em relação a outros, porque são os últimos culpados pela emissão de gases de efeito estufa que provocam as mudanças, diz o informe.
“Se não houver ações corretivas”, diz uma nota à imprensa, que acompanha o estudo, o mundo “se dirigirá a uma triste situação”.
Mais da metade dos 157 bilhões de dólares em perdas – em termos da economia atual – terá lugar nas potências industrializadas, encabeçadas por Estados Unidos, Japão e Alemanha. Mas em termos de custo para o PBI, a proporção será muito menor nestas nações.
O documento foi divulgado por DARA, uma ONG com sede em Madri, e o fórum climático vulnerável, uma coalizão de ilhas-nação e outros países mais expostos à mudança climática.
As delegações de mais de 190 nações estão reunidas em Cancún desde 29 de novembro e até 10 de dezembro com o objetivo de reavivar a negociação internacional sobre a luta contra a mudança climática. (Fonte: G1)

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Abelhas nativas sem ferrão (ASF) como agentes polinizadores


 
Voando de flor em flor em busca do néctar, fonte dos diversos açúcares que compõem o mel ou do pólen, fonte de proteínas para o desenvolvimento da cria, as ASF executam um serviço da maior importância para as plantas que dependem da polinização cruzada. Quando transferem grãos de pólen de uma flor (gametas masculinos) para o estigma (receptor feminino) de outra flor da mesma espécie fecha-se o ciclo inicial da geração de novas plantas.
 
Assim, ao longo de centenas de viagens, as ASF contribuem instintiva e naturalmente com o surgimento de frutos de maior qualidade, melhor apresentação e mais sementes.
E isto é polinização: uma relação benéfica entre as plantas e as ASF polinizadoras. Um serviço ambiental da maior importância, fundamental na preservação de matas e melhoria dos projetos agrícolas.
 
Dentre todos os polinizadores da natureza, os insetos, dentre eles as ASF, são os mais importantes, possuindo mecanismos apropriados para o transporte dos grãos de pólen.
 
Muitas plantas dependem da polinização cruzada ou alogamia por terem alguma característica que as impedem de executar a auto-polinização. Por exemplo, elas podem ter flores somente masculinas ou somente femininas; maturação diferenciada entre os órgãos reprodutores, precisando associar-se a uma segunda ou terceira planta que complemente o ciclo; grande distância entre estigma e estame; ou, ainda, flores com morfologia rebuscada, dificultando ou impedindo a transferência de grãos de pólen.
 
Pesquisas utilizando abelhas na polinização aumentaram a qualidade e produtividade de culturas como: abóbora, café, cebola, maçã, pêssego e laranja, entre outras. As ASF melhoram a variabilidade genética entre plantas da mesma espécie. E em plantas que não dependem da polinização cruzada existem registros de melhora da quantidade e do número de grãos e sementes, originando plantas mais vigorosas e produtivas. Mas ainda há muito que se saber sobre essa atividade.
 
Conclui-se que as ASF e as flores estão intimamente relacionadas. Não só pela produção de mel, mas por seu valor como seres indispensáveis para manter e perpetuar as plantas e ampliar
a produção agrícola.
 
Sem os polinizadores o produtor é que terá de executar essa tarefa, o que seria inviável em plantas de flores minúsculas ou em grandes quantidades de flores. Logo, esse é um serviço de ecossistemas, sendo mais barato preservar do que pagar os custos dos prejuízos da destruição ambiental.
 
Então precisamos promover e expandir a conscientização sobre o valor da diversidade de polinizadores e os seus benefícios. Desenvolver incentivos como o da "Pollinator Partnership", uma ONG dos Estados Unidos que premia governos e fazendeiros que os protegem. É oportuno estimular o plantio de árvores nectaríferas para formação de pasto melífero para o sustento dasASF. Enfim, manter colônias de ASF nos sítios, escolas, hortos, lotes urbanos, praças e até em apartamentos nos andares mais baixos. Assim, as ASF irão polinizar as plantas ao redor.
 
Estudos indicam que um terço da produção mundial de alimentos depende de polinizadores. Levantamentos internacionais indicam que o desaparecimento dos insetos polinizadores seria um desastre ambiental e econômico. Segundo Mc Gregor 1976, Morse and Calderone (2000), o valor das abelhas na polinização de algumas culturas é de 60 a 100 vezes o valor do mel.
 
Neste contexto, iniciativas devem ser fomentadas pelos governos, organizações não governamentais e sociedade civil, sob risco de perdermos os nossos polinizadores em função da degradação ambiental, do desmatamento contínuo, da poluição, do uso intensivo de agrotóxicos, do extrativismo predatório e da intensificação das alterações climáticas. Isto tudo têm afetado as ASF, comprometendo a natureza e a produção agrícola.
 
É dever de todos promover a preservação e o uso racional e sustentável dos polinizadores para o bem dos ecossistemas e da agricultura, para que possamos usufruir de saúde com mel, pólen e própolis das ASF.
 
ARTIGO: Jean Carlos Locatelli/ AMESG - ABENA
 
Mais informações com o autor: jeanlooc@yahoo.com.br
 

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Estudos apontam potencial da própolis verde para tratar problemas bucais

Fonte: correiobrasiliense.com.br

Nayara Menezes
Publicação: 03/11/2010 11:38

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Belo Horizonte —
Apesar de serem temidas pela maioria das pessoas por sua picada potente, as abelhas fazem muito bem ao homem, até mais do que se imagina. Além do saboroso mel, benéfico à saúde, esses espertos insetos voadores produzem a própolis, eficiente antibiótico natural que vem revelando, a cada dia, mais propriedades terapêuticas. Uma pesquisa feita pela Fundação Ezequiel Dias (Funed), em Belo Horizonte, descobriu outra aplicação para a substância: a prevenção e o tratamento de doenças inflamatórias na boca, como gengivite, mucosite e candidíase crônica.

A partir da descoberta, o grupo, coordenado pela bióloga Esther Margarida Bastos, desenvolveu um gel e um enxaguatório bucais à base da própolis verde, um dos 13 tipos existentes no Brasil. A intenção é fazer com que os produtos sejam disponibilizados no Sistema Único de Saúde (SUS). Caso isso ocorra, os cientistas da Funed podem disponibilizar o primeiro enxaguatório fabricado no Brasil, já que todos os existentes no mercado são produzidos por empresas multinacionais.

O ineditismo do estudo não para por aí. Em parceria com a Funed, o dentista Ronaldo Rettore Júnior realizou a primeira pesquisa mundial usando a própolis verde na prevenção e no tratamento de inflamações em implantes dentários. “Buscamos na literatura internacional alguma experiência similar e não encontramos. Somos os primeiros a usar a própolis com esse objetivo”, garante. Os testes feitos em laboratório apresentaram resultados animadores.

“O enxaguatório à base de própolis se mostrou tão eficaz quanto o convencional no tratamento dos processos inflamatórios”, afirma o dentista. Segundo ele, a clorexidina, princípio ativo usado em 90% dos antissépticos bucais, provoca efeitos colaterais no uso prolongado, como a perda do paladar e o aparecimento de manchas dos dentes. Já a própolis não apresenta nenhum desses inconvenientes. O único desafio, segundo o dentista, é chegar a uma fórmula com aroma e gosto mais atrativos, já que o natural não agrada a muitas pessoas.

Os resultados dos testes serão publicados este mês, durante a apresentação da tese de doutorado de Ronaldo Rettore, no curso de pós-graduação em implantodologia da Universidade São Leopoldo Mandic, em Campinas (SP). A partir daí, serão feitos experimentos em pacientes para confirmar os testes laboratoriais. Em seguida, se os resultados forem positivos, o produto fabricado pela Funed estará apto a ser comercializado ou oferecido pelo SUS.

Caso saia tudo de acordo com o esperado, o enxaguatório deve ter seu uso expandido, além do propósito para o qual foi criado — recuperação de pacientes com implante dentário. “Ele poderá ser usado
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por qualquer pessoa na prevenção de cáries, gengivites e outras doenças bucais, substituindo os enxaguatórios comercializados atualmente”, afirma o especialista.

Dentaduras
Outra pesquisa feita por profissionais da Funed testou a própolis no tratamento da candidíase atrófica crônica, doença comum em pessoas que usam prótese dentária total. “A maioria dos pacientes tem dificuldade em higienizar a dentadura e muitos dormem com ela, o que provoca a proliferação dos micro-organismos e causa a enfermidade”, explica Esther Bastos.

O tratamento convencional é feito com medicamentos à base de miconazol, um princípio ativo forte, que costuma gerar efeitos colaterais adversos, segundo a bióloga. Os 30 pacientes que participaram dos testes usaram o gel fabricado por 30 dias. “O medicamento se mostrou altamente eficaz”, afirma a pesquisadora. Além de não provocar efeitos colaterais, o gel também tem preço inferior ao medicamento convencional.

Os dois produtos, fabricados em parceria com as faculdades de odontologia da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas) e da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), já foram encaminhados para o registro de patente. “Laboratórios internacionais também demonstraram interesse em produzir os medicamentos por meio da assinatura de um convênio de transferência de tecnologia”, revela a bióloga da Funed.

Propriedades terapêuticas
Muitas pesquisas vêm sendo desenvolvidas com a própolis, que se mostrou positiva para curar várias infeções, como estomatite, amidalite e gengivite. Ela age como bactericida, cicatrizante e antisséptico; fortalece a ação imunológica no organismo; reduz efeitos colaterais de anticancerígenos e da radioterapia; previne e trata pneumonia crônica e bronquite infantil; ajuda na recuperação de pacientes com queimaduras graves, entre outras aplicações.

Origem
A própolis verde é produzida a partir da mistura de uma cera produzida na saliva das abelhas e de uma resina que esses insetos retiram do alecrim do campo, conhecido popularmente por vassourinha. A própolis serve tanto para proteger a colmeia, funcionando como vedante, quanto para envolver as abelhas que morrem dentro da colmeia e não podem ser retiradas por algum motivo. Esse uso, inclusive, chegou a ser copiado pelos humanos. Registros históricos dão conta de que os egípcios já usavam a própolis para embalsamar suas múmias.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Própolis vermelha

Globo Rural
17.10.2010




Uma substância cobiçada pela indústria farmacêutica do mundo todo transformou a própolis vermelha num produto de alto valor no mercado. E esse tipo de própolis só existe num lugar aqui no Brasil, no litoral de Alagoas.  Vamos, então, saber que substância é essa. E visitar uma criação de abelhas no meio do manguezal, um lugar que desperta a atenção e o interesse de negociantes internacionais.
Dos 17 municípios que compõem a faixa litorânea de Alagoas, 12 têm apicultores que trabalham com a própolis vermelha. Em Marechal Deodoro, um dos mais conhecidos é José Marinho de Lima, que atravessa a lagoa Manguaba para nos encontrar. Junto dele, está o filho Carlos.
A viagem até o outro lado da lagoa não demora mais do que 15 minutos, tempo suficiente para Marinho lembrar de vinte e poucos anos atrás, quando começou sua criação de abelhas. “Tudo improvisado. Até caixa nós tivemos que improvisar, tudo improvisado, porque, naquela época, em Alagoas, não se falava nem em abelha. A propriedade era de bisavós, de avós, de pai. Uma coisa interessante, a apicultura, porque o indivíduo que entra na linha da apicultura normalmente não sai mais, porque é apaixonante”, diz.
“A placa é para prevenir, porque é a segurança. Já está avisado de que não deve destruir nada aí, não deve fazer zoada. Passar, ele pode passar tranquilo, só não pode mexer nas caixas”, explica Marinho.
Em terra firme, ainda temos uma pequena caminhada ilha adentro. Além de suas 200 caixas de abelha, Marinho conta com exatos 671 coqueiros. Tudo caprichadamente numerado. “Os produtivos estão todos numerados. Agora tem muitos coqueiros novos que ainda não foram numerados porque não estão na faixa de produção ainda”, diz.
“O máximo que eu tirei é 8.500 cocos, mas fica em torno de cinco mil cocos, seis mil cocos, de dois em dois meses ou de três em três”, explica o apicultor Carlos Lima, andando pelo coqueiral.
Ele ajuda o pai apenas com as abelhas. “Já levei muita picada. No começo, eu passava dois três dias sem conseguir. Ficava inchado, delirando, com febre. De tanto levar, acostumei um pouco, mas sofri um bocado”, diz Carlos.
Bem perto da entrada do apiário, o coqueiro de número um indica que é hora de colocar a roupa de apicultor. “Esquenta um pouquinho, mas só que aqui a gente é protegido também pela natureza. As árvores são altas, tem essa vantagem, essa grande vantagem. Sombreado é o apiário ideal para a produção da própolis. Nossa própolis é diferente. Em vez de ela ser seca, ela é liguenta, e, se ao sol, derrete como chiclete”, explica o apicultor.
No apiário, a fumaça serve para acalmar as abelhas, mas, antes da coleta da própolis, vale uma explicação.
Uma caixa de abelhas voltada para a produção de mel é assim, fechada de todos os lados. Só mesmo o alvado embaixo para elas entrarem e saírem. Já quando o objetivo é a produção de própolis, a caixa tem esses vãos, deixados de propósito pelo apicultor para estimular a vedação.
 “A estrutura tem a finalidade de vedar todas as frestas da colmeia para evitar o ataque de predadores, para evitar o excesso de luminosidade, para evitar o excesso de corrente de ar. A tendência é fechar tudo”, afirma Marinho. “O coletor de própolis funciona da seguinte forma. É removível. Quando você remove o coletor, a própolis está aqui. Você tira um e automaticamente já coloca outro. Tira um e, ao mesmo tempo, vir com outro e colocar no mesmo lugar”, explica o apicultor.
De volta ao apiário, veja como as abelhas trabalham para fechar as brechas do coletor. Elas parecem incansáveis. E, geralmente, depois de uma semana...
“Aqui está na faixa de trinta gramas, mais ou menos, de própolis. Isso varia. Eu já consegui tirar aqui numa semana 2,7 kg de própolis. Foi o máximo. Mas aí varia, 1,8 kg, 1,7 kg, 2,1 kg. Fica variando. O mínimo foi 200 g por semana. Isso é sazonal, depende do tempo. Tem abelha que numa semana está cheia de própolis. Na outra semana, ela não tem nada”, diz Marinho.
“O trabalho da própolis é mais simples. Você basta usar o coletor e vai ser um trabalho externo. Já para o mel, nós temos que abrir da caixa e temos que tirar o alimento, que é o alimento da abelha. É a mesma coisa de uma pessoa tirar o alimento da sua casa”, afirma Carlos. E para não enfraquecer a colmeia, Marinho e o filho Carlos não tiram o mel das abelhas.
“Olha, você está vendo aqui três caixas, três coletores, numa alta produtividade. É simplesmente notável a quantidade de própolis que tem aqui. Se você conseguir uma repetição disso, é um espetáculo, um espetáculo. Uma produção dessa não é comum”. A própolis vermelha só dá onde tem o rabo de bugio, uma planta típica do manguezal.
Você que consome mel com frequência sabe que, dependendo da florada, o produto tem cor e sabor diferentes. O mel de laranjeira, por exemplo, não é igual ao mel de eucalipto, de cana-de-açúcar e assim por diante. O mesmo ocorre com a própolis. Ela muda de característica de acordo com a vegetação de cada região. O Bruno Cabral é biólogo e vai mostrar o rabo de bugio, a planta de onde as abelhas tiram a resina para produzir a própolis vermelha.
“É quase que uma trepadeira. Ela é uma planta que faz parte do grupo das leguminosas, que é mesmo grupo da soja, da alfafa, do feijão. O nome científico do rabo de bugio ou bugio, como é popularmente conhecido, é Dalberguia ecastaphilum. A ocorrência principal dela vai desde o sul da Flórida até o limite sul do Brasil e existe também registro na costa leste do continente africano”, diz Cabral.
Com o rabo de bugio por perto, a abelha aproveita qualquer fissura no galho para raspar a resina e levá-la para sua colmeia. Em alguns momentos, elas rodam, rodam, como se estivessem dançando. O vermelho intenso da resina é o que dá a cor para a própolis. Com a perninha de trás carregada, as abelhas levantam vôo.
Dos treze tipos de própolis existentes no Brasil, cinco são da região Sul, um dos estados do Sudeste e sete do Nordeste. A própolis vermelha de Alagoas foi a última a ser descrita e catalogada pelos pesquisadores. A sua particularidade é uma substância nobre chamada isoflavona, que tem dado o que falar.
Este é o laboratório onde trabalha o agrônomo Severino Alencar, na Esalq, em Piracicaba, São Paulo. Severino coordena o grupo de estudos em própolis do CNPq, que envolve a USP, a Unicamp e a Universidade Federal de Alfenas, em Minas Gerais.
“Nós já investimos, em quatro anos, em torno de R$ 1,2 milhão. Essa é a primeira vez que a gente tem uma quantidade de recursos significativos para estudo de uma única própolis. É um produto natural, rico em isoflavonas. Nunca se encontrou isso uma própolis brasileira e com grande de aplicação na indústria de alimentos e farmacêutica”, diz Severino.
A isoflavona é uma substância geralmente encontrada em plantas das famílias das leguminosas. A mais famosa delas é a soja. Sobre a isoflavona da própolis vermelha, os estudos indicam um futuro promissor. “A gente mostra que realmente é uma boa fonte de combater radicais livres. E quem não gostaria de envelhecer com qualidade, já que nós envelhecemos por ataque de radicais livres”, afirma o pesquisador.
Ainda em Piracicaba, bem pertinho do professor Severino, trabalha o doutor Pedro Rosalen, farmacêutico e professor da Faculdade de Odontologia da Unicamp. Em seu laboratório, há 12 anos vem analisando os mais diversos tipos de própolis, da verde à marrom, e, agora, a vermelha.
Em todas elas, encontrou bons resultados no combate à formação da placa dental, “que é o início, muitas vezes, de problemas de saúde odontológica, da saúde bucal, como a cárie dental e a doença de gengiva”, explica.
“Ela mata a bactéria causadora dessa placa no dente. Mas o mais curioso é que, em baixa concentração, ela não mata a bactéria, ela diminui o que nós chamamos de fatores de virulência. Porque não adianta você matar a bactéria especialmente numa ambiente como a boca, porque, dali a alguns minutos, nós vamos ter outras bactérias povoando a boca novamente. Então, talvez, uma forma mais eficiente de combater essas bactérias da boca seja diminuindo ou enfraquecendo o seu poder de causar doença”, explica o farmacêutico.
Por conta de descobertas assim, a procura pela própolis vermelha chamou a atenção do mercado internacional, principalmente do Japão. O interesse dos japoneses pela própolis vermelha é tamanho que, uma vez por ano, eles desembarcam aqui em Alagoas para visitar os apiários. Só que tudo em segredo, tudo em sigilo. Tanto que eles acabaram de descer daquela lancha e não quiseram gravar nenhuma entrevista e nem permitiram que a nossa equipe de reportagem acompanhasse esse momento.
Ainda assim, conseguimos flagrar uma pequena movimentação, até que fomos autorizados a conversar com o exportador Cezar Ramos Júnior, que, há 16 anos, vende uma outra própolis, a verde, para esses compradores. “Não sabemos o que vai ser produzido, e, na verdade, ainda são em escalas muito pequenas. Vamos dizer que hoje ainda é escala em nível de pesquisa”, diz.
Os japoneses já detêm 43% das patentes de própolis no mundo inteiro, e são eles que compram a maior parte da produção da própolis vermelha de Alagoas, que, hoje em dia, gira em torno de uma tonelada e meia por ano.
Para organizar toda a cadeia de produção e comercialização da própolis vermelha, desde 2007 o Sebrae vem trabalhando junto aos apicultores. A analista técnica Amanda Bentes é quem presta assessoria nos projetos que envolvem esse nobre produto de Alagoas.
“A própolis na cor vermelha existe em outros países, inclusive na África. Porém, com as propriedades diferenciadas, essas que estão sendo buscadas pelo mercado, só é produzida em Alagoas. O próximo passo é a gente conseguir uma indicação geográfica. Indicação geográfica é um selo de qualidade que é cedido pelo INPI, Instituto Nacional de Propriedade Industrial, o qual corresponde que aquele produto ele é natural, tem uma forma diferenciada de fabricação, tem propriedades diferenciadas e que são respeitadas pelos produtores locais”, diz Amanda.
Enquanto a indicação geográfica não vem, enquanto as pesquisas avançam e enquanto o mercado da própolis vermelha se consolida, o litoral de Alagoas só tem a ganhar com o desenvolvimento dessa atividade em seus manguezais, como ressalta o biólogo Fernando Pinto, do Instituto para Preservação da Mata Atlântica.
“Quisera eu que todos os outros ecossistemas descobrissem uma própolis de cada cor para que a gente pudesse ter em cada ecossistema um grupo, como são esses apicultores, preocupados em preservar essas áreas. Se você não preservar a mata, atinge o manguezal. Se não preservar o manguezal, você atinge a Mata Atlântica. Não tem como você dissociar esses dois ecossistemas”, afirma Fernando.
Vale lembrar que nem toda própolis vermelha contém isoflavona. Só exames de laboratório podem confirmar essa qualidade no produto.