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domingo, 18 de março de 2012

Livro: "AS AMIGAS MIÚDAS QUE FAZEM MEL SEM FERROAR"

O meliponicultor Mario Tessari de Jaguaruna -SC publicou recentemente um livro infantil tendo as abelhas nativas como tema.

As Amigas Miúdas Que Fazem Mel Sem Ferroar, conta a história de Asefe, um menino diferente da maioria das crianças da atualidade, pois ao contrário dos amigo  não é  alucinado pela tecnologia, mas sim, muito vidradado na natureza, em especial os bichos pequenos que vivem livres. Ao invés de ficar horas no computador envolvido em jogos, o que gosta mesmo é pequisar sobre as pequenas criaturas da natureza.

Assim, foi com muita alegria que o pequeno Asefe recebeu da mãe, a notícia de que iria passar um feriado no sítio do avô, onde poderia ficar observando os insetos.

Foi neste passeio que surgiu a paixão do menino pelas abelhas nativas. Ao perceber a fascinação do neto pelas abelhas jataí, o Vozé prometeu leva-lo para conhecer um velho barbudo que vive  próximo a uma floresta criando diferentes espécies de abelhas nativas.

É contando as aventuras melipônicas do Asefe na residência do antigo criador, que Tessari de forma leve e não cansativa, vai passando  para os leitores informações sobre a abelhas sem ferão.

É um livro que tende a agradar a crianças pois além de agradável leitura, as ilustralções de Douglas Silva
proporcionam uma participação ativa dos pequenos leitores colorindo as ilustrações.

Ao terminar a leitura eu já estava imaginando continações da aventura do pequeno Asefe, quem sabe  já criando a suas próprias abelhas. E esta é a idéia dos idealiadores do projeto.

A convite deste blog, Mario Tessari escreveu um texto que publicamos abaixo, comentando sobre o obra

AS AMIGAS MIÚDAS QUE FAZEM MEL SEM FERROAR nasceu de uma ideia fecundada durante a visita que recebi do José Halley Winckler.

Tínhamos – e ainda temos – a consciência de que uma das dificuldades para obter um bom desenvolvimento da Meliponicultura é o pouco conhecimento que a população em geral tem sobre o assunto. Para superar essa barreira, pensamos abrir caminho através das mentes das crianças e dos jovens que ultimamente se mostram preocupados com a triste situação a que está relegado o meio ambiente do nosso planeta.

Compartilhamos esse desejo com mais alguns meliponicultores e firmamos esperança de que seria possível escrever um livro voltado especificamente para o público infanto-juvenil. O Winckler queria foco fixo em uma determinada idade, que estivesse entre os 7 e os 17 anos; eu, mais ousado (e romântico), queria escrever para cada ‘criança’ que habita as pessoas que estão entre 3 e 92 anos de idade.

Casando nossas ideias e pesquisando sobre a linguagem adequada para esse público, fui formando uma lógica de como deveria ser o texto. Daí, escrever foi fácil. A dificuldade é encontrar ilustrador. Eu sou garatujento, apenas. Desenho muito mal. E tinha mais uma exigência: o ilustrador deveria entender, ao menos um pouco, de abelhas-sem-ferrão.

Foi um ano de esperas frustradas, de pesquisas gráficas, de vontades de abandonar o sonho. A capa, então, foi uma luta contra o exibicionismo dos pretensos ‘artistas gráficos’. Finalmente, descontratei o profissional, assumi a tarefa e trabalhei em mais de 100 ensaios, até chegar à imagem que foi impressa sobre a capa.

Assim, depois de um ano de gestação, o pequeno livro está viajando pelo Brasil, para ser apreciado e analisado por meliponicultores e por todos os que lutam por melhores condições de vida neste planeta. Essa edição foi por minha conta: trabalho, dinheiro e riscos. Se valer a pena, poderão ser escritos, formatados, impressos e distribuídos os demais livros do projeto original, que era editar de 5 a 7 deles, seguindo os passos da aprendizagem de Asefe sobre técnicas em meliponicultura.
Estou disponibilizando o texto para quem quiser reimprimir – como está ou com outra capa e com outras ilustrações –, bem como me proponho escrever os textos das etapas seguintes do projeto. Porém, eu ficaria com a responsabilidade de escrever o texto, apenas. As pessoas e as instituições interessadas podem entrar em contato comigo: mariotessari@gmail.com, mariotessari@ymail.com.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Considerações Sobre Desdobramento de Colônias



O grupo Abena (Yahoo Grupos) é uma importante, eu diria até, a mais importante fonte de informações e troca de conhecimentos sobre a meliponicultura. 

Hoje o amigo Jean Locatelli postou um texto que considerei bastante pertinente tratando das divisões e como concordo plenamente tomo a liberdade de reproduzir.

"Benautas",

É comum o pessoal falar:
- "Hoje fiz uma divisão de nativa";

Isso até pode parecer normal e seria, se todos tivessem a consciência de que o fato de transferir material de uma caixa para outra se constitui apenas no primeiro passo para uma divisão racional (forçada);

Pois, na verdade o processo é gradual e crescente, a exemplo do que acontece na natureza, em se tratando de Abelhas Nativas Sem Ferrão;
Ou seja, se inicia o processo com o transporte de material, mas o criador deve continuar provendo o novo enxame com os insumos que ele precisará para se desenvolver eficientemente;

Vejam que o ideal é iniciar com o mínimo de discos de cria para não sobrecarregar as operárias, pois terão de preservar a temperatura das células de cria; também não é bom colocar muito alimento, pois atrairão outras abelhas pilhadoras ou inimigos (formigas, apis, iratim..); nem muita operárias pois nos primeiros dias estarão desorganizadas e isso pode gerar uma guerra interna.

Assim, os materiais devem ser acrescidos conforme o cortiço vai se organizando, ou conforme o meliponicultor percebe a necessidade ou tem a disponibilidade, pois pode não ter o suficiente no inicio mas ir acrescendo conforme vai obtendo junto a outros enxames.
Quanto ao pólen o correto é só fornecer em pequenas porções e quando o novo enxame já tiver rainha, pois ele só serve para alimentação das larvas.

Uma forma eficaz de garantir a as provisões de alimento nos primeiros dias ofertar pouco alimento em alimentadores pequenos, mas após o enxame estar se defendendo, se remove um naco de potes de mel de caixas estabelecidas e se insere no novo cortiço ou transferir uma melgueira de outro enxame, inclusive nesse caso, se houver disponibilidade no inicio do processo, pode ser colocado pois os aromas internos ajudam na organização do novo ninho.

Assim respeitamos o processo natural de formação dos enxames, evitando o que não é raro acontecer de criadores que fazem a divisão e abandonam os enxames, mas após alguns meses dizem: "xiiiiiii.... As beinhas foram imbora!".

Bons Manejos.

Jean
Multiplicador

terça-feira, 13 de março de 2012

Para melhor visualização clique na imagem

terça-feira, 6 de março de 2012

Abelhas Nativas na Polinização de Morangos

 Mirim Plebeia nigrips (mliponario Zuge)

Abelhas nativas do RS aumentam produtividade de plantações de morango: Polinização pela abelha mirim reduz a quantidade de frutos deformados
Estudo integrado por pesquisadores da Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária (Fepagro) apontou aumento da produtividade no cultivo de morangos com o auxílio da polinização por abelhas nativas do Rio Grande do Sul (RS). A abelha utilizada (Plebeia nigriceps), popularmente conhecida como mirim, não possui ferrão e é originária do estado, ao contrário da abelha comum (Apis mellifera). O estudo foi publicado na edição mais recente da revista Pesquisa Agropecuária Brasileira (PAB), editada pela Embrapa.
A pesquisadora Sídia Witter, que participou do estudo, comenta que o trabalho é mais um exemplo da importância das abelhas para a agricultura familiar gaúcha. Os morangos foram plantados em estufas no período de agosto a novembro de 2007, na Estação Experimental da Fepagro Saúde Animal, em Eldorado do Sul. Além de Sídia, os pesquisadores da Fepagro Bernadete Radin e Bruno Brito Lisboa também integraram o trabalho, além de Juliane Galaschi Teixeira (USP), Betina Blochtein (PUCRS) e Vera Lúcia Imperatriz-Fonseca (USP).
O aumento da produtividade está relacionado à redução do percentual de frutos deformados, problema provocado pela autopolinização. A polinização cruzada (troca de pólen entre flores diferentes), produzida pela ação das abelhas, diminui a incidência de deformação nos morangos. O Rio Grande do Sul é um dos principais produtores de morango do país. O cultivo ocorre nos municípios do Vale do Rio Caí, Caxias do Sul e Farroupilha e região de Pelotas.
Além deste estudo, Sídia desenvolve uma série de pesquisas envolvendo a polinização por meio de espécies de abelhas nativas do Rio Grande do Sul, como opção ao uso da Apis mellifera. “A maior importância dasabelhas não está na produção do mel, mas sim na polinização”, observa. “Muitas das espécies que estudamos já estão em extinção”.
A pesquisadora da Fepagro integra um projeto financiado pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), através do Ministério do Meio Ambiente (MMA), para promover a conservação, a restauração e o uso sustentável da diversidade de polinizadores na agricultura e ecossistemas relacionados.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Agricultor cria árvore que dá flor o ano todo



Um produtor rural de Santa
Leopoldina desenvolveu uma espécie
de eucalipto que pode se
tornar uma alternativa para os
apicultores em todo o Brasil. Trata-
se de uma planta que floresce
o ano inteiro, com potencial para
ser a principal fonte para a produção
do mel de abelha.
O produtor José Lúcio Batista,
o Preto do Viveiro, que também é
técnico agrícola e biólogo, contou
que há cerca de 10 anos percebeu
que dois pés de eucalipto floresciam
mais que o normal. Ele teve
a ideia de fazer um cruzamento
das árvores, fecundando uma
com o pólen da outra.
“Dessa experiência consegui
cinco sementes. Dois pés começaram
a apresentar os primeiros
botões florais com cerca de 75
dias. Normalmente, demoraria
entre cinco e seis anos. Plantamos
essas duas mudas e, fazendo
o acompanhamento, percebemos
a importância para a apicultura”,
relatou José Lúcio.
Após vários testes, 50 árvores
produzidas por clonagem foram
plantadas em uma propriedade
rural na localidade de Rio Bonito,
em Santa Maria de Jetibá.
“Nos últimos dois anos, todos
os meses as plantas apresentaram
botões florais, mas em sete
meses por ano, a florada é mais
intensa”, relatou.

José Lúcio foi apicultor até
1994, mas parou de produzir mel
devido à falta de flores na região.
“Agora eu já estou recomeçando a
produção de mel. Sei que essa nova
variedade de eucalipto não será
a salvação dos apicultores, mas
com certeza irá contribuir muito
para o setor”, garante.
O técnico agrícola da prefeitura
de Santa Leopoldina, André Lima
Neves, acompanha o trabalho de
José Lúcio desde o início do processo.
“Já fizemos contato com o
Ministério da Agricultura Pecuária
e Pesca (Mapa) para registrar a
nova espécie. Acreditamos que
ainda este ano ela já possa ser comercializada”,
acredita André.
Para o secretário de Agricultura
de Santa Leopoldina, Roberto
Dias Ribeiro, a nova espécie de
eucalipto possibilita agregar renda
ao agricultor familiar de duas
formas: para a comercialização
de madeira, já que o desenvolvimento
é o mesmo das variedades
tradicionais, e também para a
produção de mel.
JULIO HUBER
Fonte: Tribuna on line
 Para ler diretamente da fonte: http://pdf.redetribuna.com.br/    colocar o dia 05 -  noticiario e pagina 22

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

A importância das abelhas nativas para a conservação das florestas

A importância das abelhas nativas para a conservação das florestas

Por

Olímpio Menezes*

As abelhas são seres fundamentais para a manutenção da vegetação natural e cultivada, pois através da polinização e conseqüente produção de frutos e sementes, contribuem para a perpetuação de muitas espécies nativas e de culturas agrícolas. São importantes formadores de renda para as populações rurais e peri-urbanas, pois aumentam e melhoram a produção de frutos além de possibilitar a comercialização de mel, própolis, pólen e das próprias colônias.

No entanto, apesar desse papel como elemento fundamental à sustentabilidade das áreas com vegetação natural, a maioria da população desconhece a existência e a importância das nossas abelhas nativas. Isso é verificado quando falamos de abelhas: a primeira referência que se tem é a abelha de ferrão (Apis mellifera) conhecida como abelha italiana, atualmente africanizada, resultado entre o cruzamento de três espécies introduzidas no Brasil a partir do século XVI.

Os meliponíneos, assim chamados por pertencerem à subfamília Meliponinae, apesar de apresentarem uma grande diversidade (mais de 300 espécies), são desconhecidos da maioria das pessoas. São conhecidas como abelhas sem ferrão ou ainda abelhas índigenas ou nativas do Brasil. Muitas dessas abelhas, ainda desconhecidas pela ciência, estão na condição de risco de extinção e outras já desapareceram pela ação dizimadora do homem desde o início da colonização. Assim, moça-branca, jataí, mosquito, uruçu, entre outros tipos de abelhas nativas, são ignoradas pelas pessoas, não raro confundidas com outras espécies de insetos e correm o risco de desaparecer nos ambientes alterados pela atividade humana.

A derrubada das florestas e o surgimento de pequenas ilhas de mata (fragmentação) fizeram com que diminuísse o número de colônias de muitas de nossas abelhas nesses ambientes, favorecendo o processo de endogamia (cruzamento entre indivíduos aparentados). A endogamia pode levar a morte da população em algumas gerações, resultando também no desaparecimento de algumas espécies vegetais visitadas por essas abelhas, desestabilizando toda a rede de interrelações existente nos ecossistemas e afetando o próprio homem.

Aliados ao desmatamento e à fragmentação, existem ainda graves problemas como as queimadas, aplicação indiscriminada de agrotóxicos e a ação dos meleiros (pessoas habilidosas em encontrar ninhos dessas abelhas), que derrubam as árvores onde elas habitam para retirar o mel e o pólen (saburá), desestruturando o ninho e abandonando as crias, que se tornam presa fácil para os predadores.

O mais grave é que as rainhas dessas espécies de abelhas, quando acasaladas e já em fase de postura, não conseguem voar, pois apresentam o fenômeno da fisiogastria, ou seja, seus abdomens se dilatam bastante, apresentando-se desproporcionais em relação ao tamanho de suas asas. As abelhas-operárias, obedecendo ao instinto animal e à séculos de evolução, permanecem no local da depredação tentando proteger a rainha e acabam servindo de alimento para outros predadores.

Essas laboriosas abelhas ficam incansavelmente voando de flor em flor a procura de alimento: néctar (fonte de carboidrato), pólen (fonte de proteínas, minerais, etc.) e levam aos seus ninhos, onde são armazenados em potes feitos de cerumes (mistura de cera e resinas).

As resinas são coletadas nas inúmeras árvores visitadas pelas abelhas; a cera é produzida pela ingestão de mel e pólen, que são metabolizados e transformados em pequenas placas de cera. A cera sai dos tergitos abdominais, de onde é retirada com o auxilio das patas traseiras, misturada à resina ou armazenada para posterior utilização.

Os ninhos dos meliponíneos são encontrados em ocos de árvores, muros de pedras, nos galhos de árvores, no solo ou em cupinzeiros e formigueiros, habitados ou não, pois vivem em perfeita simbiose com essas classes de insetos sociáveis.

Estas abelhas sofrem muito com a destruição do seu ambiente natural, encontrando-se sem opções de locais para fazerem seus ninhos. O desmatamento aumenta a incidência direta dos raios solares nos ninhos que porventura permaneçam no local, aumentando a temperatura ambiente e a umidade relativa do ar no interior das colônias. Além disso, suas fontes de alimentos são reduzidas.

E para salvar nossas abelhas indígenas, o que fazer?

Segundo pesquisadores do tema, serão necessárias algumas ações primordiais a serem tomadas por todos envolvidos:

1- Que cada criador brasileiro, com consciência ecológica, crie sessenta colônias de uma única espécie de abelha sem ferrão de sua região, para evitar a endogamia;

2- Que este processo seja iniciado com as espécies de Melipona de cada região, as mais atacadas por meleiros e as que estão mais próximas da extinção;

3- Esses criadores, que realizam divisões artificiais, deverão entregar, todos os anos, uma ou duas colônias para casas próximas as escolas de seu bairro, e colocar colônias em matas da região a fim de iniciar ou incrementar suas populações nessas matas;

4- Que todas as universidades, das regiões em que existam meliponínios e cursos de Biologia, Agronomia, Engenharia Florestal ou Zootecnia, criem um meliponário com sessenta colônias de abelhas nativas para demonstração, experimentação e estudos, colônias essas compradas dos criadores (e não buscadas no mato);

5- Uma atenção toda especial deve ser dada ao plantio das árvores e arbustos que lhes sejam úteis como pasto e abrigo

6- Finalmente, há necessidade de termos campanhas de educação ambiental, sobre as nossas abelhas, ressaltando que elas não representam perigo algum para as pessoas e delas depende a polinização de muitas plantas e conseqüentemente a produção de fruto que alimentam a fauna e de sementes que garantem a perpetuação da floresta.

*Estudante de Agronomia da UFRPE e participa o Grupo Árvores-UFRPE, que congrega professores, alunos e funcionários daquela instituição em prol de ações para a conservação da sua área verde. C coordenador do grupo de estudo sobre abelhas nativas ou sem ferrão.

domingo, 22 de janeiro de 2012

DIVISÃO EM CAIXAS VERTICAIS MODULARES


As caixas verticais modulares apresentam muitas qualidades tanto para a produção e coleta de mel, como também nos manejos das meliponas. Dentre outras qualidades, destaca-se a facilidade na hora de se realizar a desdobras dos enxames pois a operação é feita com rapidez e sem a manipulação dos discos de cria.

Alguns criadores pensam que para multiplicar uma colônia nestas caixas se faz necessário que a postura esteja na parte de cima, ou seja, sobreninho. Mas isto não é verdade. Também quando os discos com as abelhas eclodindo na primeira (parte inferior) é perfeitamente viável a desdobra.

Para ilustrar isto, colocamos abaixo, um link de um desdobramento nesta condição, realizado pelo amigo Reginaldo de Criciúma, Santa Catarina:

http://www.youtube.com/watch?v=bvA7PiqRyq4   

Video Sobre a Meliponicultura.


Segue um vídeo sobre a meliponicultura e colaboração da EMPRAPA, incentivando a atividade:

http://www.youtube.com/watch?v=sZa0Q_pmuHY

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Salvando jataí da fome

Como praticamente todas as minhas colônias estão em locais de farta alimentação, eu acabei por me esquecer da excessão e como castigo quase perdi uma jataí que está em uma bela casa ivo. No caso da foto abaixo, é a casinha da esquerda:

 
Esta colônia é o resultado de um enxameamento em isca PET ocorrido no início deste ano. Desde o início, este enxame não é dos mais fortes dentre os que o Judismar (Julio)  - meliponarioaracruz.blogspot.com - conseguiu no fim do ano passado. Assim, eu deveria ter ficado mais atento mas o fato é que com o inverno e também com o início de primavera com bastante frio e ventos e pouca chuva, acabou que o enxame não conseguiu disponibilizar alimentos  Quando percebi uma redução da população fui vistoriar. Não havia estoque de alimentos e, como consequência, zero de postura. Isto sem contar que a quantidade de abelhas era bastante reduzido. 
Ainda bem a rainha estava lá. Assim, tive que pegar dois favos com as abelhas nascentes para provocar um aumento da população. Como alimento eu ofereci mel e o pólen desidratado em pó que eu revendo.

No início fui colocando o pólen  aos poucos, diretamente no piso do sobre-ninho e aceitação foi imediata. Imaginei que estavam consumindo e também utilizando para colocar nos favos que teriam voltado a construir, pois não ficava nada do pólen ofertado. Com o tempo, começaram a construir potes onde começaram a armazenar. Confirmada a aceitação para não mais ficar abrindo para repor, passei a
servir um volume maior, num compinho: 





Daí que em poucos dias elas transformaram o copinho em um grande pote de saburá. - Polén com a ação das enzimas das abelhas, transformado em forma mais pastosa. 

Elas construiram túneis para acessar o alimento. Ao abrir o ninho descobri que elas gostaram do trato, pois
 surgiram discos de cria


.

Outra coisa interessante que aconteceu nesta esperiência, é que ofereci para elas um pouco de água e elas pegaram. Pode até ser que tenham jogado fora, mas desconfio que podem ter utililado para misturar com o mel de ápis - oferecido puro - deixando-o no teor de umidade que gostam. 




segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Sugestões para um plano de manejo para a melípona capixaba


Meliponario Capixaba
Sugestões para um plano de manejo para a melípona capixaba

Considerações iniciais:
Entendemos que a situação da espécie é bastante complicada, pois sofreu e ainda continua sofrendo uma grande pressão por retirada de seus ninhos naturais e, principalmente, porque com o grande desmatamento ocorrido nas últimas décadas, ficou muito difícil para esta e outras espécies conseguirem locais para os ninhos pois não há  mais uma quantidade razoável de árvores com dimensões adequadas para servirem de ninhos para os novos enxames. As poucas árvores frondosas que sobraram são disputadas pelas abelhas nativas e pelas abelhas exóticas, que cada vez mais recebem incentivos, enquanto que a criação das espécies nativas sofre fortes restrições.
Acreditamos que para salvar a espécie da extinção são necessárias ações amplas envolvendo criadores, população, e diferentes instituições. Entendemos ainda, que medidas simples e meramente repreensivas dificilmente resolverão a problemática. O ideal seria criar uma fundação ou Instituto para centralizar e coordenar as ações.  Não adianta pensar que o caminho para a salvação da espécie é intensificar as exigências sobre os criadores, dificultando a atividade. Entendemos que se não houver ações urgentes, não vai demorar muito tempo que elas não mais existam na natureza, mas apenas nas mãos destes criadores, que dedicam atenção e cuidados para conservação e multiplicação.
Propostas para um plano de manejo:
- Ampla pesquisa em toda a região de ocorrência visando à descoberta e mapeamento do maior número possível de ninhos naturais que ainda existam;
- Levantamento das árvores em que preferencialmente nidificam e também das espécies de árvores que forneçam intensivamente alimento. Produção destas árvores em viveiros e ampla distribuição e reflorestamento com estas e outras árvores com as mesmas características, incluindo espécies exóticas, que sejam fontes de néctar e pólen durante o inverno, quando a Mata Atlântica é pobre em florada;
- Intenso e permanente trabalho de conscientização sobre a importância ambiental que envolve a questão, e ainda sobre a legislação e conseqüências do desrespeito ás normas vigentes;
- Projetar ninhos provisórios e definitivos para receber enxameamentos, como compensação da redução dos espaços naturais. Fabricação e farta distribuição em um raio de 2 km, de todos os ninhos naturais encontrados com posterior monitoramento. Para uma melhor atratividade, os criadores racionais deverão disponibilizar atrativo produzido a partir de cera e geoprópolis da própria espécie.
- Monitoramento e proteção dos ninhos naturais encontrados para que não pereçam. Em casos de grave apodrecimento ou de queda das árvores estas colônias deverão ser enviadas aos meliponarios, onde serão transferidas para caixas racionais padronizadas;
- Oferta de cursos de  meliponicultura consciente  para todos os criadores;
- Fabricação de caixas racionais e padronizadas e distribuição gratuita;
- Cadastro, contagem e pesquisa estatística de todas as colônias em poder dos criadores. Levantamento do histórico das colônias;
- Qualquer autorização de manejo que envolva poda de árvores e autorização de desmatamento só ocorrerá depois que meliponicultores e pesquisadores fizerem um levantamento da área;
- Toda apreensão de madeira deverá ser sucedida de um levantamento de possíveis ninhos de ASF que deverão ser encaminhadas aos meliponarios cadastrados;
- Eventuais apreensões  de abelhas, mesmo fora do Espírito Santo devem resultar na devolução da espécie para área de ocorrência.

Entidades que podem ser envolvidas:
IBAMA, IEMA, UFES, INCAPER, IDAF, Associações de meliponicultores e de moradores,     
IBGE, dentre outros.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Resultados do I Encontro.

O I ENCONTRO DE MELIPONICULTORES DO ESPÍRITO SANTO conseguiu superar
as expectativas dos participantes por ter deixado decisões importantes.O número de particpantes ficou próximo a 30 com meliponicultores em diferentes estágios de conhecimento e Vindos de várias regiões e  municípios.

Conforme estava previsto no programa no encontro, ocorreram ótimos debates, um pouco de teoria e também de prática melipônica. Saímos do encontro com os seguintes encaminhamentos:
- Continuidade das articulações para a fundação da associação;
- Ficou decido também, que, vamos marcar uma reunião com o pessoal de diferentes áreas do IBAMA (SISFAUNA e CTF), para conhecimento do mecanismo necessário para que a autorização da meliponicultura ocorra;
 - O  IBAMA apoiará, na medida de suas possibilidades, ações de meliponicultores em busca de traçar um programa de manejo que possibilite a recuperação da população da uruçu capixaba e a ampliação da sua área de ocorrência.

O meliponario capixaba ficou responsável pela primeira apresentação. Falamos um pouco do caminhar da meliponicultura: meleiros extrativistas, criadores em cortiços, do início dos manejos com as caixas racionais, das diferentes caixa, divisão, e ainda expomos nossa posição com relação a alguns temas relacionados e abrimos a discussão sobre os rumos que desejamos para a nossa meliponicultura.

Jacques Passamani, analista ambiental do IBAMA, fez uma ótima apresentação. Sempre solícito, respondeu a todas perguntas de forma clara e objetiva. vamos a alguns pontos:
1 - Cadastro Técnico Federal (CTF) Todos devem fazer o Cadastro Técnico Federal. Mesmo possuindo uma única colônia. Para os que possuem a guarda de até 50 colônias, esta é a exigência.
O cadastro é o registro do meliponicultor na atividade e ele - meliponicultor - deve sempre observar o estabelecido na Resolução Conama que regulamenta o limite de 50 colonia sem autorização. Podendo efetuar o que a norma prevê, sendo permitido desdobrar as colônias, colocar iscas e inclusive vender com Nota Fiscal (excluindo-se a melipona capixaba). Como a resolução Conama não estabelece critérios para justificar a existencia da colônia, até que este seja implementados, no cadastro não é necessário que se justifique a origem das abelhas. O Cadastro requer que anualmente o meliponicultor apresente relatorios anuais relacionadas a evolução do plantel. Todas as Dúvidas sobre o CTF deverão ser sanadas definitivamente quando da reunião tirada nos encaminhamentos.
2 - Para mais de 50 colméias, já passa a ser necessário solicitar o registro em uma das categorias listadas no artigo I da IN 169/2008 do IBAMA.
3 - Transporte - As colônias podem ser transportadas dentro do estado. Para tanto, se faz necessário solicitar autorização prévia no IBAMA. Não se pode transportar as abelhas para fora de locais onde ocorram naturalmente e, principalmente, não se pode enviar a uruçu capixaba para fora do estado, E neste caso,  a penalidade não é pequena.
4 - Passamani também foi claro ao colocar seu entendimento que não podemos criar espécies que não ocorram no Espírito Santo.

No caso das autorização de um número superior a 50 colonias, o mais próximo das atividades da meliponicultura (excluindo-se a melipona capixaba), parece ser o constante no inciso XII que se refere a Criadouro comercial.
Os presentes ficaram muito satisfeitos quando relatou que gostou de ver o interesse dos meliponicultores em formar uma associação e afirmou que, a organização e o devido cadastro no instituto vai permitir que o IBAMA possa começar a exigir o resgate das colonias existentes nos locais em que for autorizada a derrubada de árvores, antes que seja emitida autorização. Surpresa um tanto de desagradável para os encontristas foi  a informação de que o Cadastro Técnico Federal não autoriza automaticamente a colocação de iscas, e para isto, também é necessário solicitar autorização ao IBAMA.
Jacques Passamani (IBAMA)
Meliponicultores atentos

Ao fim da fala do Jacques, ficou decidido que iremos realizar uma reunião com diferentes setores do IBAMA para que sejam esclarecidas outras dúvidas. Bom momento para que seja iniciado um diálogo que venha  a resultar em um futuro programa de manejo destinado a preservação da melipona capixaba e também tratar de diferentes aspectos da criação de abelhas nativas. A data provável desta reunião e o dia 28 de setembro. Todos devem comparecer. Confirme rapidamente o interesse para que se destine o espaço para a reunião, de acordo com o número de presentes. (sala ou auditório). Para isto, escreva uma mensagem para meliponariocapixaba@gmail.com.

O mineiro Eurico Novy falou sobre as suas novas caixas de concreto aeradado (www.ame-rio.org/2011/03/caixa-novy-concreto-aerado.html ): Como foi o desenvolvimento da caixa desde o princípio até o modelo atual. A caixa agradou bastante e o Eurico ainda apresentou um modelo que projetou especialmente para a uruçu capixaba. Ficou decidido que iremos  tentar fabricar as caixas para os meliponicultores capixabas. A presença do Eurico foi ótima, pois ele gosta de partilhar o conhecimento adquerido em muitos anos de meliponicultura.  Com ele também compareceu o talvez único meliponicultor catalão: Mesmo morando na Espanha, Ramon Molina cria abelhas nativas no Brasil, onde sempre aparece para realizar os seus manejos. A presença do Molina, além de "internacionalizar" o encontro, o enriqueceu de conhecimentos já que ele surpreendeu ao demonstrar o tamanho do conhecimento que possui das plantas e das abelhas do Brasil.
Eurico e a caixa Novy

Com a ajuda do Novy, as caixas serão fabricadas aqui

O primeiro dia terminou com um animado churrasco oferecido pela meliponario anfitrião. Aliás, devo ressaltar que nos receberam muito bem. Realmente o Oiutrem realiza um trabalho maravilhoso.

O segundo dia do encontro foi destinado a prática de manejos. Foi desdobrada uma colônia de mandaçaia, sendo a desdobra comandada pelo Jovane no meliponario da RPPN Oiutrem. Na oportunidade  Jovane contou um pouco da história da RPPN, de seu meliponario e sobre os projetos.
No segundo dia, participantes de diferentes gerações
Jovane multiplicando mandaçaia

Para encerrar com chave de ouro Judismar Barbosa, de Vitória, realizou uma oficina de construção de isca PET para o alojamento de enxameamentos. Mais conhecido como Júlio, demonstrou todo o procedimento desde a separação do material e da preparação do líquido atrativo, até a colocação das iscas nos lugares para receber os enxames. Na oportunidade os presentes puderam montar iscas que foram distribuídas. Julio não deixou de esclarecer alguns pontos importantes:
1 - O líquido atrativo, que deve ser feito com cera e própolis preferencialmente das espécies que se deseja alojar;
2 - O líquido atrativo deve permanecer nas garrafas o tempo bastante para que cheiro fique impregnado;
3 - Ao colocar as iscas nos locais, evitar excesso de sol incidindo diretamente sobre as PETs;
4 - Instalar as iscas de forma ligeiramente inclinada, com a entrada para baixo, evitando a entrada de água;
5 - Para maior atratividade colocar cera na entrada,
6 - De tempos em tempos deve-se fazer uma verificação das iscas, expulsando formigas que eventualmente tenham as adotado como moradia. Na oportunidade o meliponicultor pode levar um pouco mais de cera para renovar, e/ou com um spray, umidecer a entrada, fixando mais cheiro atrativo.
7 - Procurar não retirar as iscas dos locais, antes de decorridos pelo menos dois meses do enxameamento, pois durante este período a nova fámilia ainda está dependendo do enxame-mãe. A retirada do local deve ser sempre à noite.
8 - Ao transportar e transferir, preservar os discos na posição original
Com estes cuidados, são grandes as possibilidades de sucesso, que caso do Júlio ficou em torno de 80%, no último ano.
Judismar mostrando material atrativo
Oficina de confecção Isca PET
Fabricando isca

Encerrado o encontro, ficou para os encontristas um gosto de quero mais, e, principalmente, a certeza de que demos um grande passo para a tão desejada união dos meliponicultores capixabas, e de que para o surgimento da nossa associação - que tal Associação de Meliponicultura do Espirito Santo - AME-ES- ou AMES?), é uma questão de pouco tempo.



   


terça-feira, 6 de setembro de 2011

Tubuna Dupla no Mesmo Oco

Por:  Cleiton José Geuster - SC
Olá!
Vou relatar para vcs, meus amigos  abelheiros, um caso bem interessante:

Ha uns 5 meses, fui chamado no município vizinho (Joaçaba), para retirar um tronco apodrecido, que havia caído no quintal de uma casa.
Me chamou pois tinha abelhas "agressivas" naquele tronco. Cheguei lá, e percebi que era um tronco com duas entradas de uma Scaptotrigona (Tubiba), separadas por pouco mais de 1,3 metros.
Cortei o tronco bem próximo as delimitações do ninho para fazer caber no meu carro. Como os enxames pareciam ser muito fortes, esperei passar o inverno (embora ontem de manhã estava bem branquinho de geada aqui em Luzerna), para transferir o ninho para uma caixa. Minha esperança era de que depois do inverno os estoques de mel estariam bem baixos, possibilitando uma transferência sem muita lambuza de mel.

Bom, hoje, passei a motosserra de comprido no tronco e lasquei ele no meio:
Uma bela surpresa: Cada entrada dava em um ninho independente.
Os dois ninho fortes, com muitos discos largos. Boas reservas ainda de mel e pólen.  Mas o mais interessante: os dois ninhos se comunicavam por várias galerias e tuneis. Pelos vestígios, quando o ninho estava com grandes reservas, estes ficavam até unidos pelos potes de alimento. Mesmo sendo ninhos diferentes, as abelhas eram compartilhadas pelos dois.
Depois de transferidos os ninhos para duas caixas, inverti a posição ninho / entrada.
             Não tirei muitas fotos, pois como os dois enxames eram fortes e eu estava sozinho na transferência, não  deu      muito tempo. Mesmo assim estão ai algumas fotos anexas, e o link de um videozinho mostrando o tronco aberto e as respectivas pilhas de favos de cria.


Abraço a todos!

Cleiton José Geuster - SC

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Aprovada Criação de Abelhas Sem Ferrão em Porto Alegre.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Os vereadores de Porto Alegre aprovaram, na tarde desta segunda-feira (8/8) projeto do vereador Adeli Sell (PT) que altera o artigo 74 e inclui o artigo 74-A na Lei Complementar nº 12, de 7 de janeiro de 1975, o qual a proíbe a criação de abelhas no perímetro urbano.

A proposta de Adeli prevê a criação de um Programa Municipal para o Desenvolvimento da Apicultura e da Meliponicultura (Proabelhas) que possibilite criar espécies nativas de abelhas sem ferrão, muitas das quais, ameaçadas de extinção.

O vereador argumenta que no Estado são cerca de 20 tipos de abelhas que não oferecem riscos. Salienta que além do mel, as abelhas auxiliam na preservação do meio ambiente, além de constituir-se em fonte de emprego e renda para inúmeras comunidades.

"Estudos apontam que centenas de espécies são responsáveis por 90% da polinização das plantas brasileiras", lembra Adeli.

Por Vítor Bley de Moraes e Regina Andrade, CMPA

domingo, 24 de julho de 2011

Os Cortiços e Seus Críticos


É sempre bom conhecer pessoas que compartilham conosco as mesmas paixões. Para a maioria dos meliponicultores é sempre uma alegria receber e conhecer outros criadores e quando estes encontros acontecem, rendem conversas intermináveis e nem se percebe o tempo que passou.

Infelizmente são poucas  as minhas oportunidades para aproveitar estes momentos, como ocorreu recentemente quando fui conhecer um senhor já com 73 anos bem vividos, sendo que cria as abelhinhas brasileiras desde os 13 anos de idade.

Trata-se de um simpático e falante senhor que reside em uma bela propriedade com  flores,  frutas e abelhas de diferentes espécies em cortiços. Durante a conversa ele disse que não gosta de caixas e quando indaguei, contou que não costuma fazer desdobramentos. Já até conseguiu com mandaçaias mas as poucas tentativas de dividir a uruçu capixaba resultaram em fracassos. "Quem divide não soma. perdi enxames tentando dividir e também, ao tentar  transferir para caixas". Ele me ouviu com atenção e interesse quando falei que hoje existem técnicas e caixas que possibilitam uma criação racional. Falei para ele pensar sobre outro prisma: Dividir para multiplicar.

Fiquei então pensando na imensa quantidade de colônias que este senhor teria formado, se desde a juventude praticasse a meliponicultura racional. Ao ser indagado sobre o critério para trazer as abelhas respondeu: "Conheço alguns ninhos nas matas, mas não faço questão de ter muitos muitos cortiços em casa e, não ligo em tirar muito mel. Só quero ficar com algumas por capricho e pela beluzura. Quando entro na mata fico admirando as que estão lá. Só que já aconteceu de eu não pegar em árvores velhas que eu ia olhar na mata de vez quando e depois sumiram". 

Segundo ele, antigamente havia muito mais abelhas nativas, mas com o grande aumento na quantidade de abelhas exóticas, elas foram diminuindo. Ele deixou claro que não gosta muitos das apis. "Antes, quando era só europa, não atrapalhavam muito não, mas depois com a africanas ficou um inferno. Antes quando eu tirava mel colocava a cera perto e as minhas abelhas iam pegar. Agora, aparece um monte de africanas para perturbar".

Eu disse que se ele conhecer caixas adequadas, vai gostar por terem espaço para ninho e para melgueira.Vai ter oportunidades de desdobrar enxames e tirar mel com muito mais facilidade. Ele havia dito que já tinha perdido enxames depois de tirar mel. Imagino que foi devido a derramamento.

Fiquei muito satisfeito quando ele me convidou para passar por lá sempre, e ainda  falou que gostaria muito, que na época apropriada, eu fosse lá para mostrar os tipos de caixa que eu uso e também para realizar com ele manejos, principalmente de desdobramento. Ele quer também conhecer o Caparaó e o meu pequeno meliponario.

A seguir, imagens de alguns cortiços deste antigo meliponicultor:







No mesmo dia, parei na lanchonete onde um outro pequeno criador também mantêm algumas colônias em cortiços. Este, eu já havia conhecido anteriormente, e ele aproveitou para me lembrar que eu havia prometido ensina-lo a fazer divisões. Falei então, que não me esqueci e que farei isto depois do inverno. Ele me disse que o pessoal da região não domina as técnicas e que já começou a falar sobre isto para os criadores que  conhece e que eles também se interessaram em participar. Estava orgulhoso, pois a pouco tempo, um cidadão do Rio Grande do Sul esteve visitando a região para conhecer a nossa uruçu.

Estou registrando estes ocorridos para ilustrar a minha opinião e posição com relação às  pessoas  que praticam a meliponicultura tradicional que é a retirada dos tocos na mata, e com relação uma  parcela dos acirrados críticos.

É muito comum vermos este tipo de atividade ser duramente criticada pelos ambientalistas em geral como sendo uma grande  depredação do meio ambiente, que acaba por levar à morte diversos ninhos de abelhas e também das árvores onde se alojam.

Ocorre que isto é uma prática tradicional, incorporada à cultura desde de antes da colonização, e não é apenas criticando e criminalizando este comportamento que se vai conseguir resolver a questão. Estas pessoas pela experiência, mesmo sem técnicas, possuem algum conhecimento e muita paixão, o que será um atalho para que com facilidade passem a ser multiplicadores de colônias. Com calma e paciência esta situação mudará, pois estes criadores das antigas, amam as abelhinhas e querem o bem delas e a maioria facilmente irá mudar de comportamento, pois que que lhes falta é apenas informação.

Cabe às instituições públicas,  aos verdadeiros ambientalistas e meliponicultores racionais, não apenas criticar, mas  divulgarem as técnicas e incentivar a estes criadores a também adotarem o manejo racional, e assim, passarem a serem  também defensores das abelhas que se encontram na natureza.

No caso principalmente da uruçu capixaba, ocorre que pessoas de locais distantes percorrem as localidades nas montanhas do Espírito Santo, perguntando onde podem comprar (por pequeno valor) cortiços  para os terem como um troféu em suas coleções, ou para desdobrar as colônias e ganhar um bom dinheiro. Isto representa um risco muito maior do que oferece o já idoso criador que mantem no quintal uns cortiços pela "belezura",  já que o dinheiro sempre foi o  maior inimigo da natureza e da vida. Como diz o ditado popular " beleza não põe mesa, e com a procura, há o risco de que aí sim, ocorra uma corrida para retirada - muitas vezes por pessoas desqualificadas - das colônias para a venda.

Os verdadeiros meliponicultores podem  realizar um trabalho de formiguinha, ou melhor, de abelhinha, que aos poucos vai trazendo o néctar das plantas e vai fabricando o mel. Assim como a abelhinha podemos aos poucos ir fabricando o nosso mel, que é a criação racional, pelo maior número de criadores que for possível. Aí sim, estaremos ajudando de verdade as abelhas nativas e  não apenas criticando uma atividade tradicional, sem procurar entender todo um contexto e sem apresentar alternativas.

   

















sábado, 19 de fevereiro de 2011

Abelha Nativa Social Com Ferrão


Quando estou pelo mato nunca deixo de ficar de olho para tentar encontrar ninhos de abelhas. Numa caminhada, ao ouvir um típico zumbido acabei por ver muitas abelhas entrando em um oco. Belas abelhas com uma cor escura, pequenas do tamanho aproximado de um iraí e com a forma típica das meliponas.

Fiquei fascinado com  a imensa movimentação e a grande entrada de alimentos. Enquanto imaginava qual espécie poderia ser,  peguei  um exemplar para olhar de mais perto e melhor observar.

Logo que segurei a danada da abelha senti a ferroada. Foi muito forte e dolorosa. A dor só não foi maior do que a minha surpresa. Caraca,  o que aprendi a respeito das abelhas sociais nativas está errado: A facilidade do manejo, a ausência ou atrofiamento do ferrão que torna a meliponicultura uma atividade segura e agradável... Então a coisa não é bem assim... Afinal, que abelha seria esta? Com certeza uma espécie totalmente desconhecida pela ciência e pelos meliponicultores.

A surpresa e o susto inicial foram logo se transformando em desespero e medo. Eu ali, literalmente num mato sem cachorro com aquela dor latejante, e pior: Uma sensação de dormência que da mão foi subindo pelo braço, que parecia estar ficando anestesiado. O meu consolo, se é que se pode chamar isso de consolo, é que depois de um certo tempo eu já não sentia mais a dor, apenas aquele terrivel formigamento.

Encontrar algum tipo de ajuda naquele lugar seria difícil. O que seria de mim? Me tornei vítima de minha própria paixão. Só restava torcer para sobreviver a isto.

Até que finalmente me pareceu que a  angústia  teria um fim. Despertei daquele inconveniente pesadelo. Tinha que ter dormido em cima do braço? A medida que recuperava o movimento e tentava voltava dormir, fiquei pensando como é bom criar abelhas nativas. Apenas abelhas nativas. Voltei a dormir sossegado.






sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Aventura com Umas Moças Brancas: Uma transferência que se transformou numa divisão

Não faz muito tempo fui procurado por um camarada daqui de Vitória, o Judismar mais conhecido por Júlio, que desejava começar na meliponicultura.
Ele demonstrou muito interesse e percebe-se que logo será um grande meliponicultor, o que para mim é muito bom, pois sinto falta de ter por perto alguém para trocar figurinhas. 
O fato é que logo após o contato inicial ele me procurou de novo, desta vez para dizer que encontrou um tipo de jataí grande em um tronco velho e já caído. chamou-me para ir com ele buscá-lo na paradisíaca Santa Cruz e trazer para Vitória. Claro que aceitei na hora.
Chegando ao local logo deu para perceber que não eram jataís pois a abelha apesar ser um pouco parecida na forma, era bem maior e a entrada diferente. Depois de uma pesquisa na net e a confirmação no grupo abena - br.groups.yahoo.com/group/abena/ - concluímos então que deve ser  a Moça Branca Friseomelitta varia. Trata-se de uma abelhinha especial: belas e mansa (não mordem nem agarram nos cabelos), e o mel é muito bom.  
Trouxemos o ninho para Vitória e esperamos um mês para as moças irem conhecendo os caminhos das pedras, quer dizer, das flores, para depois tentar a transferência para um caixa racional.
 Júlio e as suas moças
Marcada a data, percebi que a caixa providenciada por ele era pequena, assim optei por utilizar uma caixa RLT que a princípio parecia ser grande, composta de duas alças de 20 x 20 x 10, cada, com porão e labirinto. Em fim,  preferi esta à pequena caixa do Júlio.   
Como eu mal havia sido apresentado às charmosas moças, fiquei tímido e também bastante apreensivo, pois até então não havia feito nenhuma transferência de colônia alojada em tronco, muito menos manejado abelhas que possuem favos em cacho. Isto sem contar com o fato de que como as abelhas não me pertencem, a responsabilidade era ainda maior. Vai que o manejo fosse um fracasso! O Júlio poderia ficar frustrado e até desistir da meliponicultura.


Mas como eu estava com o meu amuleto da sorte - o  boné da Abena - relaxei, pois desde que ele chegou foi utilizado em todos os manejos com 100% de sucesso. Assim, fomos à luta com os apetrechos por perto:  fita para vedar as juntas da caixa, sugador de abelhas, local para guardar a rainha, xarope, ferramentas... e o principal: equipe à postos. Aliás, uma equipe e tanto, composta por Júlio, a sua filhinha Karol que com apenas sete anos não amarelou diante da responsabilidade de ser fotógrafa, cinegrafista e ajudante geral e completando o time, este que vos escreve. 
Vejam o meu ar preocupado. No começo eu estava temendo a possiblidade de tudo sair errado. Depois pensei: Porque me preocupar, se estou com meu boné da sorte? Afinal, um abenalta, nunca treme.

Ainda com cortiço em seu lugar original, o Júlio foi logo retirando o pito de entrada e o transplantou para a caixa já vedada por mim com o meu "espetacular" senso estético, que me caracteriza. Como podem ver na foto baixo, uma "verdadeira obra de arte":

Daí, retiramos o velho tronco do local, deixamos bem perto,  e colocamos a caixa para receber as campeiras. Ao dar umas pancadas no tronco para que as abelhas saírem, o meu sentimento com relação às belas loiras começou a mudar, pois até então era de simpatia e quando começaram a sair aos montes, e se  dirigirem para o antigo local do ninho, sem se agarrar nos nossos cabelos, e não  nos atacar como fazem, por exemplo, as valentes jataís, a simpatia começou a virar paixão; afinal das contas elas não são apenas belas, mas, também fazem um alimento delicioso e ainda por cima, são calminhas, calminhas.
Chegou então, o momento de abrir o tronco (ou galho). Como já havíamos imaginado, foi como mamão com mel, pois como ele já estava bem rachado e não ofereceu qualquer tipo de resistência à  força do Júlio. 

O tronco foi posto próximo ao local original, onde já estava a caixa que receberia a colônia. Tivemos o cuidado de manter na mesma posição desde a coleta no mato.


  Conseguimos abrir o tronco ao meio, sem estragar os favos de cria ou derramar mel. O oco relativamente estreito ocupava no comprimento mais de um metro de favos e de mel 


Parte dos muitos favos de cria que estavam espalhados por grande extensão do oco


Daí, eu me encarreguei de cuidadosamente ir retirando os favos de crias, que não eram poucos, e ia transferindo e colando nas paredes e  também dispondo no fundo da caixa, que a esta altura eu não mais considerava  grande, dada a quantidade de favos. Enquanto isto, Júlio utilizando o seu hiper-sugador feito com um copinho da Karol, sugava as abelhas que não voaram e procurava pela rainha. A promissora Karol ia se diplomando na arte de fotografar, filmar e de quebra nos ajudava em tudo mais.
Com muita calma, descolando os favos de cria 

Depois de retirados os favos foram pacientemente distribuídos pela caixa composta de ninho e sobre ninho com espaço disponível de 20 x 20 x 16 cm. Abaixo do ninho um labirinto e porão (projeto do Rilen - RJ)

A transferência  transcorria relativa bem. Por que relativamente?... Favos retirados íntegros e transferidos sem transtorno, potes de mel intactos, sucesso na coleta das abelhas que não voavam... Mas, cadê a rainha? nada da mãezona. Já haviámos transferido quase todos os favos e nada da chefona. O problema é que  o pau-de-ninho estava bem acabadinho e contava com muitos buracos, valas, entranhas e que mais o querido leitor imaginar como sendo locais para um pequeno inseto se esconder. Além do fato de que  não estávamos encontrando a poderosa, havia ainda a questão das abelhinhas que se aninhavam em locais  que nem o Júlio com o seu pulmão turbinado conseguia aspirar.    
Só nos restava então, sair detonando o tronco atrás de qualquer espaço onde a rainha poderia estar. Isto com certeza poderia resultar na morte da madame.
Foi então que me veio uma idéia que de imediato apresentei para o meu novo amigo e tratamos de pôr em prática: Remontar o tronco. Já que não era totalmente garantido que a rainha realmente estivesse lá, viva e forte, aliás, não dava nem para garantir que havia uma rainha... Vai que se tratava de uma família  recém orfanada, não é verdade? Tudo é possível. Inclusive o improvável. Diante disto, mantivemos no tronco alguns favos nascentes e também favos novos, pois nesta espécie não há realeira, e as princesas não saem de células comuns como nas meliponas. No caso das friseomelittas, a rainha origina-se de uma invasão: a larva de  uma célula invade uma célula vizinha e come todo o alimento e provavelmente, a outra larva também. Desta invasão, surge a futura rainha. Ficou no tronco, também parte do mel, e aquelas abelhas que Júlio não estava conseguindo sugar e as campeira que não saiam de perto. 
Como ele estava aberto em duas partes mais algumas lascas avulsas fomos como num quebra - cabeças, recolocando as partes no lugar. É isto mesmo: remontamos o cortiço. Com arame e alicate, juntamos firmente as partes e serramos a parte de baixo e adaptamos um suporte com um pedaço de tábua. Em seguida, com muita argila, fechamos todas as frestas, buracos e afins. Vejam o resultado:

  
Seis dias após o manejo, retornei ao local e fiquei muito feliz ao ver o intenso movimento de abelhas, não só na caixa, mas também no tronco.
Espero que em breve estajamos fazendo uma divisão utilizando favos da caixa e campeiras do tonco.

 Assim, fica aqui narrada a história de uma transferencia que se transformou numa divisão, e também, fica contado como surgiu a minha paixão por estas moças que agora quero também possuir (no bom sentido), e com elas conviver até que a morte nos separe. 

Complementando:
Vídeos da transferencia:

http://www.youtube.com/watch?v=fgX-oUP8QZk



http://www.youtube.com/watch?v=75cfYqA2UdM


http://www.youtube.com/watch?v=-YJ37D6m93g

Vídeo do tronco depois da divisão.

Conhecendo mais um pouco: